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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

What if...



Eu vivi tanto tempo almejando de volta uma vida perfeita que quando notei que ela não beirava, nem de longe, perdi completamente o chão que pisava. Dediquei um amor unilateral que me rendeu muita mágoa, decepções e desconfiança de cada pessoa que me cerca. Tal estagnação me fez perder tanto tempo de minha vida, e me deixou com tantas sequelas, e elas  perduram até o dia de hoje, literalmente.
Como duas pessoas que se amaram podem se odiar num picar de olhos? Como pode acontecer de elas desejarem longe uma da outra? Eu não vejo sentido disso. Deste manimento completo de um da vida do outro. Sou adepto de uma boa conversa, mas também admito que não sou perfeito de algumas vezes não sei lidar perfeitamente com algumas situações que a vida nos impõe. Sou humano, erro, tenho medo, me aborreço, me estresso, grito, falo coisas da boca pra fora, magoo pessoas, mas também tenho humildade de admitir tudo. Infelizmente, hoje, me encontro numa situação em que eu não posso fazer isso. Não posso me desculpar, não posso me redimir. Não sou de aço e tenho limitações, mas esperam tanto de mim que não enxergam meus momentos. Na verdade, acredito que as pessoas não acreditem que eu tenha direito a desabar, às vezes. Mas adivinhe, eu tenho.
Não me preocupo em ter um texto rebuscado ou qualquer coisa do tipo. Não escrevo para um público, mas para abrandar meu coração.
"What if", termo em inglês que significa "E se".
E se eu pudesse voltar ao passado?
Bem, essa é simples. Se eu pudesse regressar um ano, mostraria mais afeto a você, talvez assim seus olhos jamais deixariam de olhar os seus. Eu, certamente, teria deixado todo meu passado no passado. Revivê-lo sempre foi meu maior defeito. Isso foi parte da ruína da vida que eu poderia ter tido. Hoje, as coisas estão completamente diferentes do que eu previa. Piores, claro, e não há o que eu possa fazer. Meus erros nunca foram passíveis de perdão, então tudo o que me resta agora é saborear esse gosto amargo da derrota, do fracasso. Fracasso esse estampado em seus olhos, que perfura meu coração e mente toda vez que sinto seu cheiro, mas não posso tocá-lo.
Eu busquei isso, afinal. Não culpo ninguém, senão eu mesmo. Tudo o que eu gostaria é de ter a chance de não permitir que todo aquele amor vire ódio, porque isso sim seria difícil pra mim.


"What if there was no light
Nothing wrong nothing right
What if there was no time
And no reason or rhyme"


Quetsciah.



terça-feira, 22 de julho de 2014

Jar of Hearts.



Há tempos não discorro a respeito de meus pensamentos e sentimentos, porém essa limitação foi altamente conveniente, afinal de contas guardar toda a dor para si mesmo foi a única alternativa que a vida me deu. Meu atual estado tem sido quase que vegetativo. Não tenho tido muitas alegrias, muito menos novidades. Aprender a lidar com o vazio que meu cotidiano se tornou tem sido uma tarefa árdua.
Antes, imaginar que eu estaria em uma situação destas seria uma completa loucura. Diria até piada. Dizem que cada um de nós paga apenas pelos erros que cometemos, ou também que cada um tem a cruz que aguenta carregar. Eu não sei exatamente em qual dos casos eu me encaixo. Se estou sendo punido ou preparado. Eu prefiro pensar nisso tudo como uma preparação. Mas será que consigo alcançar meus objetivos?
Minha vida profissional tem sido frustrada. Por mais que me esforce, não consigo prosperar. Recebi algumas explicações e venho tentando resolver o problema da melhor forma possível. Mas compreender não significa que não doa. Hoje eu sou o cara de 23 anos que depende da mãe para tudo. Essa dependência me tirou o gosto de fazer qualquer coisa que implique qualquer gasto. Meus dias tem sido trancado em uma casa, apenas vendo os ponteiros do relógio passar.
Minha vida familiar, consequentemente, também tem sido bastante incômoda. Toda a cobrança proferida a mim, cria uma sensação enorme de "um estranho no ninho". Ali não é mais o meu lugar, porém ainda não é o momento de partir. Então preciso aprimorar minha capacidade de resiliência, ter a paciência necessária para mudar tudo isso. Confesso que não tem sido lá algo absurdo. Com o tempo eu aprendi a ter paciência, persistência e Fé.
Mas o mais intrigante de todos é como ficará minha vida sentimental. É aterrorizante imaginar que tudo pode desandar. Se alguém me perguntasse como eu estaria daqui uns dez nos, baseado no momento atual, eu diria "Amargurado e sozinho". Certa vez me disseram que amamos apenas uma vez na vida, e eu optei por amar um homem. Este, embora se considere o pior, desumano, nunca soube notar nada de bom que ele fazia. Infelizmente o destino nos separou, brincando conosco, mandando, mais uma vez, para direções diferentes. O que vai acontecer? Estarei vagando sempre sozinho, a procura de alguém que me complete. Ele. Entre protestos meus, eu ouvi que o final havia chego, mas no fundo eu nunca acreditei. Não sei exatamente se é uma esperança tola e sem fundamentos, ou a verdade sendo dita. Sem opção, uma esperança cresce dentro de mim, mas eu não a alimento. Sem expectativas, sem decepções. Porém não há um dia que que não pense nele, não deseje ele, não queira preparar seu café, fazer uma massagem, ouvir seus problemas. Nada me fazia mais feliz que os momentos em que ele partilhava seus momentos comigo. Eu me encontrei ali. Como em lugar algum. Embora tenha procurado, tudo o que eu consegui foi uma trilha de corações partidos. Eu descobri que tenho minha beleza e que sou apaixonante. Mas nada fácil me satisfez. Eu preciso de um desafio.
Mas, claro, essa não é minha atual realidade. E não tenho me abatido. É como se eu vivesse em reabilitação, aprendendo a viver de uma forma completamente diferente. Uma nova vida.

Quetsciah

sábado, 8 de março de 2014

'"De algo eu tenho que morrer", Disse o gato ao se apaixonar pela sétima vez.'




Não sei a firmar ao certo o autor desta frase, porém decidi por citá-la no inicio deste post por descrever bem o que se passa. Isso porque, como dizia o poeta, amar alguém  que não te ama é como morrer diariamente. Pois bem. Invisível, é como me sinto agora. Pode-se parecer exagero, mas vocês vão concordar comigo se analisarem.
Tudo começou quando amei a primeira vez. Então não fui amado. A ave e o peixe podem se apaixonar, mas onde contruirão seu ninho. Então foram longos e dolorosos dias. 
Então eu amei a segunda vez. "Um irmão você tem aqui", disse-me enquanto afagava-me as costas.
E veio a terceira, mas eu optei por sofrer calado. Eu já sabia o desfecho de tudo. Então minhas lagrimas escorreram em silencio pelo rosto, quentes e salgadas, dedicadas a alguém que, até hoje, nunca soube.
Já na quarta foi muito mais platônico, um amor envolto em noites de estudo, aroma de mesas de madeira velha e pó de giz. Mas não iria pra frente. Sequer saiu do papel.
Na quinta eu, arriscando uma amizade, provei para o destino mais uma vez que, embora ele dificultasse, eu não me acovardaria. Infelizmente meus esforços não foram recompensados.
A sexta foi por um idiota capaz de ir pela cabeça alheia e eu agradeço por não ter conseguido.
Na sétima. Ahhh, a sétima. Chegou de mansinho, de uma forma inesperada, lancei-me no ar e me agarrou fortemente em seus braços. Ali eu percebi que não havia amado uma vez sequer. Umas paixões bem fortes, outras nem tanto. Mas amor? Amor estava escrito no azul daqueles olhos, tatuado na alvura daquela pele. Mas eu não fui suficiente e ele me escorregou por entre os dedos. Não havia chão, céu ou qualquer outra coisa. Me vi obrigado a reconstruir tudo do zero.
Mudei-me por completo, iniciei uma nova vida, novos rumos, ambições, inclusive companhias. E deixei-me levar pela ilusão que daria certo. Ciente de que não daria meu coração a ninguém, pois já o tinha feito e isso não acontece duas vezes, decidi que estava na hora de buscar a felicidade. Mas a felicidade não estava muito contente em me ter, então decidiu por no meu caminho os habituais problemas. A oitava teria tudo para acontecer, mas eu cheguei alguns dias atrasado. Mais alguns meses me recuperando.
Então eu criei um bloqueio entre meu passado e eu e decidi que seguiria em frente. Dediquei-me a cuidar de tão frágil criatura, com todo cuidado fui cativando-o, porém, quando ele notou o quanto poderia ser feliz, meu coração já estava em pedaços. Isso trouxe-me toda a dor e toda a angústia reprimida e me mostrou que não importa o que eu faça, eu apenas não serei bom o suficiente. Nem sequer de esforço, mesmo que sem exito. Eu apenas não mereço. Oras, eu não decidi isso, apenas contatei durante todos esses anos em minhas experiências frustradas.
Conclusão: Acabou. Estou fechado. Quem está em meu coração (E isso se resume a um nome, quatro palavras), está. Quem não está, não estará. Estarei fechado para estranhos, para a dor certa. Isso sim, é morrer diariamente. Pouco a pouco. 

Na esperança de dias melhores,

Quetskya,




quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Um brinde com lágrimas e sangue.



Ontem, dezoito de fevereiro, completou cinco meses desde que me entreguei ao anjo da morte, que coloquei-me em suas mãos. Consequentemente cinco meses que perdi a única pessoa que me foi realmente importante. Meu dia não foi, nem de perto, bom. Movido a lembranças, saudades e lágrimas. Muitas delas. Em reflexão, voltei no tempo e fiz uma autoavaliação de minha vida. Dividindo em antes, durante e depois d'Ele, concluí que: Antes, não havia perspectiva alguma. Tinha algumas metas profissionais e alguns sonhos no campo sentimental. Durante eu apenas vivi e fui feliz. Há quem diga que não, mas eu vivi. E depois.... Rs. Depois eu me vi num limbo. Um limbo que perdura desde então.
Desde então eu fiz a minha vida de momentos; Não de momentos alegres. Não vou negar que estes não existam, mas foram principalmente pequenos momentos de anestesia. Para que eu pudesse, naquele momento, diminuir a dor. Toda aquela dor. Não tem sido fácil, não gostaria de estar assim. Hoje eu vivo minha vida, procuro estabilizá-la, mas decidi não abrir meu coração para mais ninguém. Não que seja relutância. mas eu não seria capaz de entregar-me a outro. Eu dei meu coração a ele e apenas a ele pertence. Agora não há mais nada que eu possa fazer. Estou conformado e sequer fico chorando por isso, apenas sigo em frente. A esperança em mim não morreu, nem nunca morrerá. Também não seria tolo de tentar me entregar a outro, novamente, e causar tanta dor a alguém. Não seria capaz de me perdoar.
Sem mais delongas, encerro este post dizendo o quanto Ele me faz falta, o quanto eu gostaria que ele estivesse aqui, mas também torço por ele onde quer que ele esteja. Que todos os problemas que o rodeiam, sejam sanados e que ele consiga, com a benção do Conselho Kármico, livrar-se de seu Karma, que tanto o machuca.
Agradeço à paciência de todos que isso lerem, embora tenha a impressão de que ninguém o faz.

Quetskya.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Crônica de uma sexta-feira qualquer...



Era uma tarde como outra qualquer. Eu havia saído cedo para resolver alguns assuntos financeiros. Ao terminar, notei que faltava pouco para que uma amiga saísse do trabalho então resolvi espera-la. Dei uma volta, olhei umas vitrines, não sabia se tomaria sorvete ou não. Decidi por não tomar. Não tardou até encontra-la. Sentamos, conversamos, rimos e ela até me ajudou a comprar uma blusa, caso viesse a precisar. Encerramos o encontro com uma pizza. Mais rizadas. Deu a nossa hora. Levantamo-nos e nos dirigimos à saída. Então o tempo parou.
Eu não esperava, mas lá estava ele. Meu coração parou e congelou, logo acelerou como nunca antes. Não tive reação e quando dei por mim, estava indo na direção contrária. Caso me perguntassem, não saberia meu nome. Demos a volta na praça de alimentação. Procurei meu celular para mandar uma mensagem, porém foi difícil desbloqueá-lo. Minhas mãos estavam suadas e trêmulas. Com dificuldade consegui, mas fui trazido à realidade pela voz de minha companheira, que chamava meu nome em tom de urgência, como um alerta. Encarei-a e a vi olhando para o chão. Olhei para frente e lá estava ele, parado na fila de uma de suas lanchonetes preferidas. Então seus olhos encontraram os meus. Não imagino minha expressão, e nem quero. Tenho vergonha de descobrir que fiz alguma careta. Mas ele, ah ele não mudou absolutamente nada. Seu olhar profundo, sua leveza nos movimentos como em um espetáculo perfeito, um catargo. Sua expressão de falsa surpresa moderada. O homem a quem dei meu coração.
Dirigi-me a ele, conversamos. Ele me explicou sobre seus compromissos próximos. Conversamos sobre, ele pegou seu lanche e se despediu. Combinamos de falar depois, ele saiu e eu me dirigi ao banheiro mais próximo tranquei-me em um reservado e observei as lágrimas atingirem imediatamente o chão. Elas escorriam pelo meu rosto, corroendo minha pele como ácido. Então parado ali, encarando todas aquelas mensagens sobre sexo grátis e listas de números de pretendentes, concluí que não adiantaria correr, eu não iria esquecê-lo. Iria apenas andar em círculos, deixando para trás um rastro de corações partidos. Corações esses que não merecem tamanha maldade. O desfecho de tudo seria o ponto de partida. A certeza de que não quero ninguém, senão ele.
Agora vou me recolher à escuridão de meu quarto, acalmarei meu coração e me deliciarei com as mensagens recentes. Assim, esperarei até que a dose dupla de meu remédio faça efeito.
Tenham uma boa noite,

Quetskya.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A respeito do Amor.



“Eu vim para viver o amor”. Foi algo que eu disse há algum tempo, imerso em muita confusão e desespero.  Embora estivesse deveras confuso e fora de mim, estava exprimindo exatamente o que minha alma queria dizer. Minhas recentes experiências me permitiram distinguir amor, de outros sentimentos como paixão, carinho, amizade.  E também a conciliá-los. Não foi fácil, tampouco está sendo, porém está sendo muitíssimo bom para meu aprendizado pessoal, e ascensão espiritual. Aprendizados que irão transgredir esta vida e outra.
Considerações à parte permitam-me dissertar sobre algumas poucas conclusões. Amor. O que é amar? Em minha humilde, porém singular opinião, o amor é o sentimento mais singelo e ao mesmo tempo mais poderoso. A essência criadora. Quando o Divino, independente de ser chamado de Deus, deuses, Destino, Universo,  criou-nos, assim como tudo o que existe, humano ou inumano, Ele o fez com Amor. Por isso o amor não morre, não é destruído, nem sequer ignorado. Ele existe em nos, mesmo que evitemos olhar. Uma hora ele vem à tona, por isso não acho sábio fugir.
Porém , ao refletir E MUITO sobre o tema, consegui segregar meus sentimentos em relação às pessoas. Era como se meu coração fosse uma estante e esses sentimentos, elementos que se encontravam bagunçados. Tirando um momento para mim, fui, dentro do meu tempo e de minhas necessidades, recolocando-os de volta em seus devidos lugares. Amizade, não é sentimento, muito menos namoro. Isto é um mero título, uma forma que nós, mortais temos de simplificar as coisas. Enquanto temos tudo dentro de nosso controle, sentimo-nos bem, tranquilos. Então nos acostumamos a amar nossos amigos, família e parceiros. Não penso mais deste jeito.
Eu tenho percebido, assim por dizer, que amar independe de título algum, ou contato físico. Isso porque o amo não é palpável. Esses títulos são utilizados para exprimir a realização deste amor, para mostrar que foi concretizado. Não posso afirmar que sempre é, ou será assim. Esta vida é tão imprevisível que eu me permito não duvidar de absolutamente nada. O caso é que esse sentimento vem da centelha divina que há dentro de mim, de nós. Isso significa dizer que o amor é o que nos une, que nos liga aos deuses, o elo de ligação com tudo o que existe. E sendo assim tão sublime e independente do físico eu me pergunto: 
“É possível amar à distância?”.
E logo me respondo:
“SIM!”
Incontestável, dentro de minua essência, que isso possa ocorrer, e devo dizer que ocorre. Eu amo muitos homens e mulheres que passaram pela minha vida e tantos outros que ainda o estão. Mais do que isso, eu amo o imortal, o divino, que cada um de nós possui. Não se pode subjugar tal sentimento ao desejo de estar perto. É mais altruísta e benevolente que isso. Parafraseando algo que disse há algum tempo: “Amar é ver a pessoa feliz, mesmo que com outra”. Outro homem, outra mulher, outros amigos. Não importa. O que importa é ver essa pessoa sorrindo, ver a felicidade em seus olhos, emanando em seu espírito. Tudo isso, digo ser sentido bem na essência de seu ser, não em sua pele, em carne. Por isso posso afirmar que vim para viver o amor. E afirmo. Amo a cada dia que vivo, sinto isso a cada segundo de meus dias. Não serei hipócrita em renegar os anseios de minha carne, não. Ao contrário, mas digo ser menos relevante do que a leveza do espírito.  Arrisco-me a dizer também que meus sentimentos independem dos sentimentos alheios. 
Para finalmente concluir digo que nada pode parar isso. Nem mesmo a distância, e não me atrevo a viver isso. Se todos pudessem experimentar um pouco do que eu sinto, jamais se recusariam a sentir também. São vividos intensamente dentro de mim e de uma forma maravilhosa. Eu, de fato, estou pronto para viver isso, pois eu estou mais do que nunca conectado com minha essência divina, e forte o suficiente para compreender isso. Estando neste corpo denso, submerso de necessidades mundanas, não é algo fácil de se aceitar, ou vivenciar, mas ainda ouvindo meu espírito, ou o que gentilmente chamamos de “coração”, eu sei que é necessário, então permito-me, superando qualquer dificuldade física que possa se opor à minha evolução.

Quetskya.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

"...Unconditional, Unconditionally..."



Há alguns dias uma lembrança tem martelado minha cabeça...

O ar gélido do condicionador de ar acertou-me em cheio e por puro reflexo eu passei meus próprios braços pelo meu corpo. Reclamei algo sobre o frio. Ele, que estava ao meu lado, segurou meu braço e se pôs entre a massa de ar gelada e eu. Assim eu não receberia um choque muito grande. Eu não esperava por isso, fiquei olhando-o por alguns segundos, pensando no ato que ele acabara de fazer para mim. Ninguém jamais foi capaz de tal gentileza, ou de gentileza alguma. Fiquei constrangido. Abaixei minha cabeça por uns instantes. 
Os outros estavam longe, estávamos sozinhos e não dançávamos ainda. O som era alto e a luz, ausente. Conversávamos sobre qualquer coisa então ele falou algo sobre uma menina e me segurou pelo braço, indicando alguém. Dizia que ela quase havia caído. Falamos mais duas ou três frases, então seus dedos firmes e cuidadosos circundaram meu braço novamente. Tratei logo de procurar a menina que cismava em se jogar daquela grade. Porém, desta vez meu corpo foi direcionado de forma diferente, além. Não só fui puxado para perto, como também fui girado em sua direção. Seu copro estava quase colado ao meu e seus olhos, semicerrados. Não houve tempo para pensar, eu apenas me permitir mergulhar na profundidade daqueles olhos azuis-prateados, fechei os meus mortais castanhos escuros e me deliciei com aquele momento.
Seu toque era suava, másculo e calmo. Seus lábios tocaram os meus e invadiram minha alma. seus braços seguravam, não só minha cintura, mas minha sanidade junto a mim. Naquele momento eu me elevei. Beijar seus lábios era como provar do Néctar dos deuses, ainda guardo o sabor comigo até hoje. Para mim, Néctar tem gosto de beijo com stella artois. Aquele momento durou, para mim, algumas centenas de anos. Era como se eu tivesse revivido todo o meu passado e o meu futuro e ainda estivesse ali. Suas mãos, ainda ao redor de minha cintura, erguiam-me de encontro a ele, mantinham-me firme e eu me segurava em seu pescoço, desejando nunca mais soltar. Vivi cada segundo como se fosse o último e não pensei em mais nada. Seu perfume, pela primeira vez, tocou-me e fez-me sentir como se estivesse caminhando sob as nuvens. Deliciei-me com aquele momento, até que fui trazido de volta ao meu corpo por uma música que muito gosto. Heart Attack, da Demi Lovato. À letra de tal música, permanecemos abraçados e suspiramos, ambos, receosos. 

Hoje eu digo, não me arrependi, nem por um segundo, de ter me entregado a isso. Jamais. Proporcionou-me um enorme aprendizado e momentos deliciosos. Meu coração ainda palpita À simples menção de seu nome, eu ao ver, aleatoriamente  alguém que se assemelha a ele. Meus ossos tremem e minha alma gela. Mas não de forma ruim, pois o meu coração palpita. Nenhum abraço, beijo ou palavras poderá substituir os dele enquanto ele ainda estiver em meu coração da forma como está. Por este motivo eu decidi que guardarei meu coração para ele. Em outros momentos eu decidia esquecer, segui em frente, mas não desta vez. Desta vez eu não vou me conformar que não posso ser feliz e lutarei pelo que desejo. Por quem desejo e estou, sim, apaixonado. Não há um dia em que não o deseje ao meu lado, mas aquieto-me, dando-lhe seu tempo, e o meu respeito, por consequência, mas é verdade que jamais deixei de acreditar, ou ter esperanças. E assim eu continuarei até que chegue o dia em que repousarei novamente em seus braços.

Quetskya.

Hitsuzen.



Há muito venho refletido sobre a minha vida. Sobre tudo o que passou, sobre quem era antes e o que me tornei. Tive a oportunidade de viver coisas maravilhosas e outras, nem tanto, mas ambas me ajudaram acrescer de forma inacreditável. Vivenciei dois extremos estilos de vida e hoje venho filtrando todos os ensinamentos, os valores, as escolhas, enfim. Tem sido um grande momento de reflexão e de descoberta, redescoberta, reinvenção. De fato, de todos o maior ensinamento foi o "nunca diga nunca". Eu já tinha isso em mente, mas aprendi que tal afirmação para coisas que possam parecer insignificantes hoje, podem não ser no futuro. 
Este momento de reclusão tem me feito ter certeza de tudo o que quero para a minha vida, está me permitindo mudar minha concepção de certas coisas que antes me prejudicaram deveras. Não pela coisa em si, mas pela forma como eu encarava. Aprendi também a julgar o que são conceitos meus e o que são alheios que, embora eu admire muito, não são meus de fato.
Mas o principal... Todo esse tempo me fez ter certeza absoluta de quem eu quero. A este ponto, com a ajuda de seres divinos, as pessoas que de fato não devem permanecer em minha vida estão se retirando. As falsas, por assim dizer. Tem sido chocante ver "amigos" virando as costas para mim, mas no fundo é um alívio saber que não mais estão ao meu lado. Quero comigo quem me faz bem. E falando em pessoas que me fazem bem... Rs, minhas aspirações  continuam as mesmas. Então eu reafirmo e continuo convicto em meu pensamento de irei esperar. Enquanto eu me encontrar assim, esperarei. E feliz. Eu esperei por mil anos, esperarei por mais mil.

Quetskya.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Boomerang Kindness




Chama-se boomerang kindness, ou efeito bumerangue, o ato sequencial de solidariedade onde tal sequência termina exatamente começou. Para ser mais claro, significa dizer que se eu fizer algo de bom para alguém, mais cedo ou mais tarde, alguém rafá algo de bom para mim. É como se fosse uma forma de universo nos retribuir com a atitude que fizemos.
Há alguns dias eu fui acometido por uma estranha e repentina sensação de raiva seguida de tristeza. Algo indescritível e sem motivos aparentes. Eu estava caminhando sozinho pela rua e tive um pressentimento, alguns minutos depois fui consumido por um ódio, algo estranho, de ninguém. E aquilo cresceu de maneira absurda. Era como estar sentindo os sentimentos de outra pessoa. E esse ódio não tardou a se transformar em uma enorme tristeza, o que me gerou uma crise de ansiedade, o que me fez cair aos prantos no meio da rua. Ainda não compreendo o porque, apenas senti. Não desviando meu caminho, segui rumo ao meu local de destino. Foi quando cruzei com uma mulher que nunca havia visto na vida. Vindo defronte a mim, ela notou minhas lágrimas que escorriam ferozmente pelo meu rosto e me abordou perguntando se eu estava chorando. Eu, sem parar, respondi que estava tudo bem - eu menti - e prossegui, então depois de uns dois passos, eu virei e agradeci, continuando o percurso. Após algum tempo, me virei e ainda pude vê-la parada me olhando com ar de preocupação. Aquilo me invadiu e me preencheu com uma sensação terna de que há pessoas boas, que se preocupam com o bem estar das pessoas ao seu redor. E fez com que eu me sentisse bem. Então orei para que os deuses iluminassem os caminhos dela, e ainda o faço.
Então hoje, há poucos minutos, inventei que tinha de sair, mesmo embaixo deste sol de 42°C, para comprar papel. Eu queria algum papel que me permitisse fazer alguma coisa(?!). No caminho passei por um senhor, pele escura, roupas simples, descalço e deitado à sombra de uma amendoeira. Observando, vi que ele se mexia vagarosamente. Aliviei-me, estava vivo. Quando retornava para casa ele permanecia lá, apenas havia mudado de posição. Olhei atentamente e ele residia imóvel. Prossegui, com um aperto no coração, olhando-o. Não consegui, dei meia volta e fui de encontro a ele. Abordei-o perguntando se ele estava bem e ele disse que estava com sede. Tinha uma aparência bem pobre, ao seu lado havia um carrinho de mão e uma inchada. Eu disse que lhe traria água. Por "sorte" eu não tinha conseguido comprar o papel que queria, então ainda tinha dinheiro. Fui até a padaria mais próxima e comprei duas garrafas de água, retornei e entreguei a ele. Perguntei ainda se ele queria ajuda para ir para casa, ele disse que estava apenas cansado e agradeceu. Eu lhe desejei melhoras e saí. 
Até então não me recordava da atitude da mulher para comigo, mas ao virar minhas costas para aquele senhor, embora ainda preocupado, fui invadido por um sentimento de leveza, o mesmo que tive ao ser abordado pela tal mulher. Neste momento eu percebi como o "destino" brinca conosco. Fiquei feliz por poder ter ajudado. Definitivamente não saí para comprar papel algum, mas sinto estar destinado a ter ajudado aquele senhor, como aquele mulher estava destinada a me ajudar. Minha recompensa por tal ato? A sensação de alivio e bondade que se instalou em meu coração e me fez repensar muitos conceitos. Ainda desejando coisas boas a ambos citados aqui, retiro-me à minha reclusão e ao meu artesanato.


Segue abaixo um vídeo muitíssimo interessante sobre "Boomerang Kindness" que achei na inernet:




Quetskya.