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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

"Do you still wanna die?"



Será possível alguém amar mais de uma vez ou será que é algo único que nos acontece? E se formos capazes de amar novamente? Seria tão intenso quanto? Ou talvez menos intenso, menos bonito. São dúvidas que tenho tido frequentemente, e que, aproveitando o excesso obrigatório de tempo livre, resolvi terminar a última temporada de uma série que gosto muito. Ela falava sobre o amor entre um vampiro e uma mestiça de fada com humana. Nos últimos episódios o vampiro descobre ter pouco tempo de vida, porém descobrem um antídoto para a doença que o consumia. Sua decisão foi de não tomá-la e aceitar a "Verdadeira Morte". Sua justificativa foi que enquanto ele vivesse, sua amada sempre voltaria para ele, mas ele jamais poderia dar a ela a vida feliz que ela merecia. Em seus últimos momentos, ele disse que havia um jeito dela renunciar seus poderes e viver uma vida normal, mas ela negou dizendo que não aceitava nada daquilo. Nem sua morte, nem a renúncia dos próprios poderes. Tudo isso fazia parte dela. Era o que ela era e não fugiria disso. Sacrificou-se então pela liberdade de sua amada. 
Peguei-me pensando nisso. Ter a mão ou o pai que tenho é quem eu sou. A família que eu tenho, meus amigo, o homem que eu amo é quem eu sou. Eu não devo tentar fugir disso, ou estaria fugindo de mim mesmo. Eu passei por uma longa fase de negação, certo. Mas não me vejo mais nesta fase. Hoje estou mais sereno e forte. Percebi, nesse meio tempo, que preciso saber lidar com as mudanças que nos ocorre. 
O fato de não ser aceito pela minha mãe pelo que sou, me magoou muito e eu me achava incapaz de ser um bom filho. Hoje eu vejo que o problema não está em mim, mas sim na pequenez da mente dela e isso não me incomoda mais. Ter ficado tanto tempo sem trabalhar me deixou achando ser incapaz de arrumar outro, mas hoje pude ver que precisava disso. Precisava recuperar minha humildade, voltar às raízes. Não ter o homem que amo ao meu lado me fez achar ser a pessoa mais infeliz do mundo. Bom, a dor ainda não passou, sequer diminuiu, mas eu aprendi a conviver com ela. Todas as minhas perdas, hoje, eu vi que não foi por incapacidade minha, mas pelo medo das pessoas envolvidas. Eu não tive medo de me dedicar ao trabalho, de me mostrar como realmente sou para a mulher que mais amo ou de amar verdadeiramente quem eu escolhi, com meus motivos, pra isso. O receio foi alheio, não meu. Então eu não vivo mais em negação, e aprendi a conviver com a dor, com a ausência de tudo isso. Ficou mais fácil? Não. Mas ao menos eu estou em paz comigo mesmo. Ciente de que fiz o meu melhor. 
Não me arrependo de nada. Sei que fui justo, honesto e mantive minha honra intacta. E muito menos voltarei atrás com minhas decisões. Quer minha mãe ou não, esse sou eu. Ela pode não me apoiar, mas não fingirei ser quem não sou. Posso não ter meu doce amor comigo mais, mas ainda estou aqui, sempre esperando por ele enquanto vivermos, enquanto respirarmos.

Em seus últimos momentos de vida, o vampiro moribundo não aguentava mais sofrer e pediu para que sua amada o poupasse do sofrimento. Ela disse a ele todos os motivos de o amar e querer ele com vida, e então o perguntou:

"Do you still wanna die?"

"Please", respondeu o convalescente.

Então ela decidiu libertá-lo da dor e assim, entregou-o para a Verdadeira Morte cravando uma estaca em seu coração. Anos depois ela apareceu casada e grávida. Assim encerrou-se a série. E o rosto de seu novo marido sequer apareceu. Porque? Porque ela não o ama, mas não pode entregar-se a seu amor. Ele já não estava mais lá. Ela foi infeliz? Talvez não, mas jamais seria a mesma coisa. Depois dele, ela jamais encontraria alguém que a fizesse tão bem, mesmo que ele ache o contrário.

Esse é exatamente o meu pensamento. Não me faz bem a pessoa que simplesmente não tenha problemas, mas a que segura minha mão e os enfrentamos juntos. Não tenho medo de problemas. Na verdade, tenho tido muito pouco medo. Me tornei muito analítico e frio nesse quesito. Mas, infelizmente, não é algo que faça muita diferença, agora. Eu prometi a mim mesmo não me abater. Seguiria com minha vida, e não cairia quando ele estivesse com outro, mas conheço meu amor por ele e sei o quão bom isso tudo seria, se pudesse acontecer. Não digo que não fique triste, fico, ao saber, pensar ou supôr que há outro, mas não vou deixar de seguir. Apenas estarei aqui caso ele queira voltar, um dia. Porque meu coração tem um dono. e apenas um.

Quetsciah.









terça-feira, 5 de agosto de 2014

"Com medos bobos e coragens absurdas."




"...Eu: Como você nunca viu?
Ele: Apenas ignoro onde não preciso agir.
Eu: Então você não precisou agir na época?..."

Silêncio.

Assim encerrou-se nossa ultima conversa. Desde então, mais nenhuma palavra. Apenas muitos pensamentos. Essas palavras finais me levaram a considerar bastantes coisas. Foi algo realmente pouco importante para ele? Ou eu apenas não era bom o suficiente para que alguém lute por mim? Não acredito nesta alternativa posterior, conheço minhas capacidades e sei bem o quão bom eu tentei ser, apenas não tive permissão para tal. Mas o mais importante é que em meio às reflexões, pude notar que embora onze meses tenham se passado, ainda o desejo, meus sentimentos nada diminuíram, apenas ascenderam. E tornaram-se mais puros, genuínos.
Mesmo tendo todos os motivos para ter desistido, odiado, não o fiz. Não pude conhecê-lo a fundo, admito. Mas pude sentir o quão flagelada estava aquela alma, que embora nobre e Grande, estava fria e triste. Por isso dediquei-me, e dedico-me, tanto. Por saber que não há nobre alma neste mundo que dedicaria sua existência em prol de alguém. Minha raça é extremamente egoísta e ignorante, e isso me deixa em completa melancolia. Aquelas marcas deixadas naquele espírito através do tempo foram deixadas por nós, por mim, incluindo, então eu prometi voltar, e voltar. E eu voltei, e não permitirei que qualquer um outro tome seu lugar. Eu o escolhi, e será assim até meu último suspiro. Tenho esperanças de que um dia todo meu esforço, perseverança e fidelidade seja reconhecida, mas sei que pode ser preciso bem mais de onze meses. Eu tenho toda essa vida, mas caso seja necessário, retornarei um dia.
Sempre admirei a nobreza daquele ser enigmático e encantador, e isso fez-me querer estar ali, e em nenhum outro lugar, mas as circunstâncias trouxeram dias diferentes dos que planejei. Para sua desgraça, a pobre criatura que me causou problemas, não sabia de minha capacidade e coragem. Creio veementemente que jamais tocará a vida de outra pessoa. Cuide pessoalmente disso. Mas isso não me faz completo. Vingar-me jamais trouxe-me meu amor de volta, ao contrário. Mas causar dor a quem me ensinou a dor foi definitivamente magnífico. Enfim, este não é meu foco. O ponto que quero enfatizar é que tenho meus objetivos bem claros e lutarei por eles.
Vai haver a época em que outro homem ocupará seu lado da cama, e isso será pior que a verdadeira morte para mim, mas não levo tanta fé na humanidade e temo ser apenas mais uma marca de muitas que já foram feitas. Talvez algum dia Ele perceba que eu não sou como todos os outros. 
Não serei cansativo e repetitivo. Encerro minhas reflexões por aqui, demonstrando meu anseio de ver um belo sorriso daqueles pequenos e doces lábios. Que os deuses olhem por mim e que nunca me falte forças.

Quetsciah.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Um brinde com lágrimas e sangue.



Ontem, dezoito de fevereiro, completou cinco meses desde que me entreguei ao anjo da morte, que coloquei-me em suas mãos. Consequentemente cinco meses que perdi a única pessoa que me foi realmente importante. Meu dia não foi, nem de perto, bom. Movido a lembranças, saudades e lágrimas. Muitas delas. Em reflexão, voltei no tempo e fiz uma autoavaliação de minha vida. Dividindo em antes, durante e depois d'Ele, concluí que: Antes, não havia perspectiva alguma. Tinha algumas metas profissionais e alguns sonhos no campo sentimental. Durante eu apenas vivi e fui feliz. Há quem diga que não, mas eu vivi. E depois.... Rs. Depois eu me vi num limbo. Um limbo que perdura desde então.
Desde então eu fiz a minha vida de momentos; Não de momentos alegres. Não vou negar que estes não existam, mas foram principalmente pequenos momentos de anestesia. Para que eu pudesse, naquele momento, diminuir a dor. Toda aquela dor. Não tem sido fácil, não gostaria de estar assim. Hoje eu vivo minha vida, procuro estabilizá-la, mas decidi não abrir meu coração para mais ninguém. Não que seja relutância. mas eu não seria capaz de entregar-me a outro. Eu dei meu coração a ele e apenas a ele pertence. Agora não há mais nada que eu possa fazer. Estou conformado e sequer fico chorando por isso, apenas sigo em frente. A esperança em mim não morreu, nem nunca morrerá. Também não seria tolo de tentar me entregar a outro, novamente, e causar tanta dor a alguém. Não seria capaz de me perdoar.
Sem mais delongas, encerro este post dizendo o quanto Ele me faz falta, o quanto eu gostaria que ele estivesse aqui, mas também torço por ele onde quer que ele esteja. Que todos os problemas que o rodeiam, sejam sanados e que ele consiga, com a benção do Conselho Kármico, livrar-se de seu Karma, que tanto o machuca.
Agradeço à paciência de todos que isso lerem, embora tenha a impressão de que ninguém o faz.

Quetskya.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Hoje, minhas lágrimas são de sangue.



Há tempos não venho aqui, porém uma enorme necessidade de expressar minhas angústias somada ao fato de o teclado de meu Netbook ter voltado a funcionar fez com que voltasse a fazer postagens aqui. 
Sinto-me vazio. Há um enorme buraco em meu peito, um vazio que nada nem ninguém pode preencher. Sei disso, pois já tentei. Tentei encontrar alivio para minhas dores, mas cada vez que tento, ela se agrava ao ponto de que penso se não seria melhor entrar em coma. Meu coração sangra. Sangra mais e mais a cada segundo que se passa. Enfim meu pesadelo está se tornando verdade. Solidão. Durante toda a minha vida eu tive medo do escuro. Medo esse derivado do meu enorme pavor da solidão, e hoje vejo que não pude fugir dela. Temo pelas pessoas ao meu redor, pois elas sempre acabam sofrendo, sofrendo pelo meu sofrimento e também pelo sofrimento que os faço sentir. 
Minha mãe um dia não estará aqui, meus amigos terão suas famílias e eu... Bom, começo a achar que essa parada de Estrela da Solidão é realmente verdade. apaixonei-me por um homem maravilhoso, que foi ótimo para mim, mas causei nele tanta dor que hoje ele não suporta mais. E isso me enlouquece, me faz querer gritar até que minha existência desapareça, assim não haveria mais dor. Nem para mim ou ninguém.
Fiz de tudo, disse tudo, prometi tudo o que qualquer um pudesse querer e tudo sem efeito. Porque não? Qual é o problema comigo? Porque estou fadado a tudo isso? Sinto-me incapaz de ser amado, desejado, de ser feliz. Tive minha oportunidade por esta vida e deixei passar, não só deixei passar. Destruí ela, ele, nós. Sou uma bomba ambulante, deixando atrás de mim um rastro de dor e tristeza. Não vou mais perder meu tempo implorando aos deuses ou humano algum para que amenize minha dor. Vou apenas deitar e esperar que esse buraco cresça o suficiente para que me consuma. Não estou me entregando, ao menos não sem tentar. Me esforcei ao máximo, em todos os caminhos que pude. "Viver" agora, parece o maior castigo que alguém poderia ter, já que não há forma digna de se fazer isso.

Quetskya.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Crônica de uma sexta-feira qualquer...



Era uma tarde como outra qualquer. Eu havia saído cedo para resolver alguns assuntos financeiros. Ao terminar, notei que faltava pouco para que uma amiga saísse do trabalho então resolvi espera-la. Dei uma volta, olhei umas vitrines, não sabia se tomaria sorvete ou não. Decidi por não tomar. Não tardou até encontra-la. Sentamos, conversamos, rimos e ela até me ajudou a comprar uma blusa, caso viesse a precisar. Encerramos o encontro com uma pizza. Mais rizadas. Deu a nossa hora. Levantamo-nos e nos dirigimos à saída. Então o tempo parou.
Eu não esperava, mas lá estava ele. Meu coração parou e congelou, logo acelerou como nunca antes. Não tive reação e quando dei por mim, estava indo na direção contrária. Caso me perguntassem, não saberia meu nome. Demos a volta na praça de alimentação. Procurei meu celular para mandar uma mensagem, porém foi difícil desbloqueá-lo. Minhas mãos estavam suadas e trêmulas. Com dificuldade consegui, mas fui trazido à realidade pela voz de minha companheira, que chamava meu nome em tom de urgência, como um alerta. Encarei-a e a vi olhando para o chão. Olhei para frente e lá estava ele, parado na fila de uma de suas lanchonetes preferidas. Então seus olhos encontraram os meus. Não imagino minha expressão, e nem quero. Tenho vergonha de descobrir que fiz alguma careta. Mas ele, ah ele não mudou absolutamente nada. Seu olhar profundo, sua leveza nos movimentos como em um espetáculo perfeito, um catargo. Sua expressão de falsa surpresa moderada. O homem a quem dei meu coração.
Dirigi-me a ele, conversamos. Ele me explicou sobre seus compromissos próximos. Conversamos sobre, ele pegou seu lanche e se despediu. Combinamos de falar depois, ele saiu e eu me dirigi ao banheiro mais próximo tranquei-me em um reservado e observei as lágrimas atingirem imediatamente o chão. Elas escorriam pelo meu rosto, corroendo minha pele como ácido. Então parado ali, encarando todas aquelas mensagens sobre sexo grátis e listas de números de pretendentes, concluí que não adiantaria correr, eu não iria esquecê-lo. Iria apenas andar em círculos, deixando para trás um rastro de corações partidos. Corações esses que não merecem tamanha maldade. O desfecho de tudo seria o ponto de partida. A certeza de que não quero ninguém, senão ele.
Agora vou me recolher à escuridão de meu quarto, acalmarei meu coração e me deliciarei com as mensagens recentes. Assim, esperarei até que a dose dupla de meu remédio faça efeito.
Tenham uma boa noite,

Quetskya.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A respeito do Amor.



“Eu vim para viver o amor”. Foi algo que eu disse há algum tempo, imerso em muita confusão e desespero.  Embora estivesse deveras confuso e fora de mim, estava exprimindo exatamente o que minha alma queria dizer. Minhas recentes experiências me permitiram distinguir amor, de outros sentimentos como paixão, carinho, amizade.  E também a conciliá-los. Não foi fácil, tampouco está sendo, porém está sendo muitíssimo bom para meu aprendizado pessoal, e ascensão espiritual. Aprendizados que irão transgredir esta vida e outra.
Considerações à parte permitam-me dissertar sobre algumas poucas conclusões. Amor. O que é amar? Em minha humilde, porém singular opinião, o amor é o sentimento mais singelo e ao mesmo tempo mais poderoso. A essência criadora. Quando o Divino, independente de ser chamado de Deus, deuses, Destino, Universo,  criou-nos, assim como tudo o que existe, humano ou inumano, Ele o fez com Amor. Por isso o amor não morre, não é destruído, nem sequer ignorado. Ele existe em nos, mesmo que evitemos olhar. Uma hora ele vem à tona, por isso não acho sábio fugir.
Porém , ao refletir E MUITO sobre o tema, consegui segregar meus sentimentos em relação às pessoas. Era como se meu coração fosse uma estante e esses sentimentos, elementos que se encontravam bagunçados. Tirando um momento para mim, fui, dentro do meu tempo e de minhas necessidades, recolocando-os de volta em seus devidos lugares. Amizade, não é sentimento, muito menos namoro. Isto é um mero título, uma forma que nós, mortais temos de simplificar as coisas. Enquanto temos tudo dentro de nosso controle, sentimo-nos bem, tranquilos. Então nos acostumamos a amar nossos amigos, família e parceiros. Não penso mais deste jeito.
Eu tenho percebido, assim por dizer, que amar independe de título algum, ou contato físico. Isso porque o amo não é palpável. Esses títulos são utilizados para exprimir a realização deste amor, para mostrar que foi concretizado. Não posso afirmar que sempre é, ou será assim. Esta vida é tão imprevisível que eu me permito não duvidar de absolutamente nada. O caso é que esse sentimento vem da centelha divina que há dentro de mim, de nós. Isso significa dizer que o amor é o que nos une, que nos liga aos deuses, o elo de ligação com tudo o que existe. E sendo assim tão sublime e independente do físico eu me pergunto: 
“É possível amar à distância?”.
E logo me respondo:
“SIM!”
Incontestável, dentro de minua essência, que isso possa ocorrer, e devo dizer que ocorre. Eu amo muitos homens e mulheres que passaram pela minha vida e tantos outros que ainda o estão. Mais do que isso, eu amo o imortal, o divino, que cada um de nós possui. Não se pode subjugar tal sentimento ao desejo de estar perto. É mais altruísta e benevolente que isso. Parafraseando algo que disse há algum tempo: “Amar é ver a pessoa feliz, mesmo que com outra”. Outro homem, outra mulher, outros amigos. Não importa. O que importa é ver essa pessoa sorrindo, ver a felicidade em seus olhos, emanando em seu espírito. Tudo isso, digo ser sentido bem na essência de seu ser, não em sua pele, em carne. Por isso posso afirmar que vim para viver o amor. E afirmo. Amo a cada dia que vivo, sinto isso a cada segundo de meus dias. Não serei hipócrita em renegar os anseios de minha carne, não. Ao contrário, mas digo ser menos relevante do que a leveza do espírito.  Arrisco-me a dizer também que meus sentimentos independem dos sentimentos alheios. 
Para finalmente concluir digo que nada pode parar isso. Nem mesmo a distância, e não me atrevo a viver isso. Se todos pudessem experimentar um pouco do que eu sinto, jamais se recusariam a sentir também. São vividos intensamente dentro de mim e de uma forma maravilhosa. Eu, de fato, estou pronto para viver isso, pois eu estou mais do que nunca conectado com minha essência divina, e forte o suficiente para compreender isso. Estando neste corpo denso, submerso de necessidades mundanas, não é algo fácil de se aceitar, ou vivenciar, mas ainda ouvindo meu espírito, ou o que gentilmente chamamos de “coração”, eu sei que é necessário, então permito-me, superando qualquer dificuldade física que possa se opor à minha evolução.

Quetskya.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

"...Unconditional, Unconditionally..."



Há alguns dias uma lembrança tem martelado minha cabeça...

O ar gélido do condicionador de ar acertou-me em cheio e por puro reflexo eu passei meus próprios braços pelo meu corpo. Reclamei algo sobre o frio. Ele, que estava ao meu lado, segurou meu braço e se pôs entre a massa de ar gelada e eu. Assim eu não receberia um choque muito grande. Eu não esperava por isso, fiquei olhando-o por alguns segundos, pensando no ato que ele acabara de fazer para mim. Ninguém jamais foi capaz de tal gentileza, ou de gentileza alguma. Fiquei constrangido. Abaixei minha cabeça por uns instantes. 
Os outros estavam longe, estávamos sozinhos e não dançávamos ainda. O som era alto e a luz, ausente. Conversávamos sobre qualquer coisa então ele falou algo sobre uma menina e me segurou pelo braço, indicando alguém. Dizia que ela quase havia caído. Falamos mais duas ou três frases, então seus dedos firmes e cuidadosos circundaram meu braço novamente. Tratei logo de procurar a menina que cismava em se jogar daquela grade. Porém, desta vez meu corpo foi direcionado de forma diferente, além. Não só fui puxado para perto, como também fui girado em sua direção. Seu copro estava quase colado ao meu e seus olhos, semicerrados. Não houve tempo para pensar, eu apenas me permitir mergulhar na profundidade daqueles olhos azuis-prateados, fechei os meus mortais castanhos escuros e me deliciei com aquele momento.
Seu toque era suava, másculo e calmo. Seus lábios tocaram os meus e invadiram minha alma. seus braços seguravam, não só minha cintura, mas minha sanidade junto a mim. Naquele momento eu me elevei. Beijar seus lábios era como provar do Néctar dos deuses, ainda guardo o sabor comigo até hoje. Para mim, Néctar tem gosto de beijo com stella artois. Aquele momento durou, para mim, algumas centenas de anos. Era como se eu tivesse revivido todo o meu passado e o meu futuro e ainda estivesse ali. Suas mãos, ainda ao redor de minha cintura, erguiam-me de encontro a ele, mantinham-me firme e eu me segurava em seu pescoço, desejando nunca mais soltar. Vivi cada segundo como se fosse o último e não pensei em mais nada. Seu perfume, pela primeira vez, tocou-me e fez-me sentir como se estivesse caminhando sob as nuvens. Deliciei-me com aquele momento, até que fui trazido de volta ao meu corpo por uma música que muito gosto. Heart Attack, da Demi Lovato. À letra de tal música, permanecemos abraçados e suspiramos, ambos, receosos. 

Hoje eu digo, não me arrependi, nem por um segundo, de ter me entregado a isso. Jamais. Proporcionou-me um enorme aprendizado e momentos deliciosos. Meu coração ainda palpita À simples menção de seu nome, eu ao ver, aleatoriamente  alguém que se assemelha a ele. Meus ossos tremem e minha alma gela. Mas não de forma ruim, pois o meu coração palpita. Nenhum abraço, beijo ou palavras poderá substituir os dele enquanto ele ainda estiver em meu coração da forma como está. Por este motivo eu decidi que guardarei meu coração para ele. Em outros momentos eu decidia esquecer, segui em frente, mas não desta vez. Desta vez eu não vou me conformar que não posso ser feliz e lutarei pelo que desejo. Por quem desejo e estou, sim, apaixonado. Não há um dia em que não o deseje ao meu lado, mas aquieto-me, dando-lhe seu tempo, e o meu respeito, por consequência, mas é verdade que jamais deixei de acreditar, ou ter esperanças. E assim eu continuarei até que chegue o dia em que repousarei novamente em seus braços.

Quetskya.

Hitsuzen.



Há muito venho refletido sobre a minha vida. Sobre tudo o que passou, sobre quem era antes e o que me tornei. Tive a oportunidade de viver coisas maravilhosas e outras, nem tanto, mas ambas me ajudaram acrescer de forma inacreditável. Vivenciei dois extremos estilos de vida e hoje venho filtrando todos os ensinamentos, os valores, as escolhas, enfim. Tem sido um grande momento de reflexão e de descoberta, redescoberta, reinvenção. De fato, de todos o maior ensinamento foi o "nunca diga nunca". Eu já tinha isso em mente, mas aprendi que tal afirmação para coisas que possam parecer insignificantes hoje, podem não ser no futuro. 
Este momento de reclusão tem me feito ter certeza de tudo o que quero para a minha vida, está me permitindo mudar minha concepção de certas coisas que antes me prejudicaram deveras. Não pela coisa em si, mas pela forma como eu encarava. Aprendi também a julgar o que são conceitos meus e o que são alheios que, embora eu admire muito, não são meus de fato.
Mas o principal... Todo esse tempo me fez ter certeza absoluta de quem eu quero. A este ponto, com a ajuda de seres divinos, as pessoas que de fato não devem permanecer em minha vida estão se retirando. As falsas, por assim dizer. Tem sido chocante ver "amigos" virando as costas para mim, mas no fundo é um alívio saber que não mais estão ao meu lado. Quero comigo quem me faz bem. E falando em pessoas que me fazem bem... Rs, minhas aspirações  continuam as mesmas. Então eu reafirmo e continuo convicto em meu pensamento de irei esperar. Enquanto eu me encontrar assim, esperarei. E feliz. Eu esperei por mil anos, esperarei por mais mil.

Quetskya.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Amor incondicional, querer bem incondicional.



Meus últimos dias foram intensos, meus sentimentos e minhas emoções vieram a mim de uma só vez. Não sei dizer exatamente o porque, tudo estava bem por incrível que pareça. Mas ontem houve um descontrole. Fiz coisas de que não me orgulho e que havia prometido não fazer. Sim, fui fraco. Eis aí o problema. Não é o fato de ser sentimental, mas de ser fraco. Eu tenho permitido que tudo isso aconteça. E não pode mais acontecer. Como alcançarei meus objetivos desta maneira? Simplesmente não irei. Então, a partir de hoje as coisas precisam mudar. Elas vão mudar. á outra coisa que vem me perturbando. Acho que meus sentimentos estão ficando cada vez mais fortes, e eu creio que finalmente vá conhecer de verdade o que é amar. Bom, não sei o que pensar sobre isso, apenas que caso aconteça, farei da forma certa. Amar, como havia dito, é deixar partir, é querer bem incondicionalmente. E é assim que deve ser. Amar incondicionalmente, querer a felicidade incondicionalmente. Já era assim, eu nunca fui mesquinho, quis algo obrigado, apenas tentai uma abordagem sem sucesso. Não haverá mais abordagem, agirei como um arqueólogo, descobrindo uma antiga preciosidade, escavando pacientemente com um pincel, preservando uma peça tão rara. 
Não há muito o que dizer hoje, apenas sobre a necessidade de uma mudança de conduta. Não de justificar meus atos ou me desculpar. O que foi feito, foi feito. É tarde. Mas como eu sempre digo, o futuro é incerto e tudo pode acontecer. Então eu vou ao encontro do que eu almejo. 

Quetskya.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Katy Perry - Unconditionally

Oh, no, did I get too close?
Oh, did I almost see
What’s really on the inside?
All your insecurities
All the dirty laundry
Never made me blink one time
I will love you unconditionally
There is no fear now
Let go and just be free
I will love you unconditionally
Don’t need apologies
Know that you are worthy
I'll take your bad days with your good
Walk through this storm, I would
I’d do it all because I love you, I love you
I will love you unconditionally
There is no fear now
Let go and just be free
I will love you unconditionally
Open up your heart, and just let it begin
Open up your heart, and just let it begin
Open up your heart
Acceptance is the key to be
To be truly free
Will you do the same for me?
I will love you unconditionally
And there is no fear now
Let go and just be free
‘Cause I will love you unconditionally (oh, yeah)
I will love you
I will love you
Unconditionally
Unconditional, unconditionally
Come just as you are to me
Unconditional, unconditionally
So open up your heart, and just let it begin
Unconditional, unconditionally
I will love you

"O que para a aranha é normal, para a mosca pode ser o caos."



Era uma bela noite, aquela. Só não era melhor pelo fato de eu ter chorado todo o dia. Não fui trabalhar, nem à academia. Meu telefone mostrava 28 ligações perdidas. Passei o dia todo evitando qualquer contato. Precisava daquele tempo só para mim. Então, ainda de jejum, com o rosto inchado e os olhos vermelhos, resolvi sair. Dar uma volta, quem sabe eu melhorasse. Embora não sentisse vontade, a noite me convidava. Eu aprendi a apreciar as trevas, bem como a luz.
Vesti algo preto, a ocasião pedia isso. Saí, sem rumo. Peguei um taxi para o centro e de lá andei sem rumo pelas ruas. Via os jovens andarem animados, entrarem e saírem do metrô. Bem arrumados, preparando-se para suas festas. Me recordo desta minha fase vazia. Sair, encher a cara e dançar até não poder mais. Não costumava me envolver com ninguém em festas. Em festas. Prossegui minha caminhada, atravessei um beco e deixei uma nota qualquer, que nem me dei ao trabalho de olhar o valor, a um mendigo que me abordara. Se não tive medo de um assalto? Ninguém em sã consciência tentaria algo contra mim, especialmente naquela noite. A viela desembocava em uma rua maior, apinhada de bares do inicio ao fim. Não sabia bem onde estava. Na verdade, sequer estava olhando por onde andava. Foi assim que tudo começou.
Trombei com um homem, ele usava uma calça jeans justa e uma camisa de manga branca. Nada me chamou a atenção. Porém eu o encarei e neste momento perdi meu chão. Seus traços me lembravam os dele. Não a cor da pele, muito menos sua estatura. Mas seus lábios, pequenos, finos, daqueles em que você não quer parar de beijar nunca mais. Ele me encarou e sorriu. Eu estava abestalhado, por um segundo imaginei que o próprio estava ali bem na minha frente, olhava para ele, ainda perplexo, em choque. Ele ficou constrangido com meu olhar e sorriu desajeitado, estendeu a mão e se apresento. Retribuí o aperto de mão e disse-lhe o meu. Logo estávamos sentados em uma daquelas mesas bebendo e conversando. 
Não se parecia em nada com quem imaginei, a postura, a voz, e até mesmo o papo, seu cheiro era menos nobre e sua aura, fraca. Seus olhos sequer eram penetrantes, apenas castanhos. Normais. Sem graça. Mas parecia ser um bom rapaz. Ele estava sozinho e chegou cedo para o encontro com os amigos. Conversamos uns quarenta minutos, uma hora? Não sei, perdi a noção do tempo. Tudo em que eu conseguia me concentrar era em seus lábios, o formato de sua barba. Ah, no rosto certo e aquilo me enlouquecia. O movimento de sua boca me hipnotizava e não tardou a eu voltar ao passado. Relembrar o gosto daquele beijo com sabor de cerveja. Eu detesto cerveja, mas é impressionante como nada tinha gosto ruim em sua boca. Ela era mágica... Divina. Resolvi encerrar o assunto, nos despedimos e cada um foi para seu canto. Ao sair, ele me perguntou se eu queria o telefone dele. Trocamos os números. Ainda não sei bem o porquê.
Estava ainda mais atordoado do que quando saí de casa. 
Daí para frente tudo foi muito doloroso. Cada esquina, cada restaurante, cada cinema em que passava em frente me relembrava nossos momentos naqueles lugares. Era como se eles sentissem prazer em ver minhas lágrimas caírem. Eu conseguia ver vida naqueles lugares, vida e prazer pela minha dor. Andei aleatoriamente durante muitos minutos, ou foram horas? Não me assustaria se tivessem sido dias. Revivi cada segundo daqueles últimos meses ao lado dele. Até minhas pernas doerem e minhas lágrimas secarem. Então entrei no primeiro bar que vi, achei um cantinho tranquilo, pedi o drink da casa. Logo fui servido. 
Do outro lado do bar havia um grupo de seis jovens comemorando o aniversário de um deles, ele se destacava pelo sorriso envergonhado por ser o centro das atenções, observei-o. Mal pude acreditar no que estava vendo. Meu estomago revirou, meus dentes cerraram e o ódio me consumiu. Era aquele idiota que um dia feriu o coração do homem por quem eu vina chorando há meses. Encarei-o por minutos, ele não me conhecia, mas eu sabia quem era. Não o achei bonito. Nem por foto e muito menos pessoalmente. Sua aura era agitada, descontraída e feliz. Enquanto causava dores por aí. Tomei uma decisão, chamei o garçom e pedi para que ele entregasse para o rapaz. Fiquei observando. Vi sua reação de surpresa, os risos e brincadeiras dos amigos desconhecidos e ergui meu copo para ele. Ele aceitou, houve cochichos e ele se levanto. Veio até mim agradecendo e eu o convidei para sentar. Ele me chamou a juntar-se a ele. Não poderia ser visto, poderia ser reconhecido. Dei uma desculpa e chamei-o para sair. Peguei seu telefone, paguei a conta e saí.
No dia seguinte liguei para ele e combinamos tudo. Fui ao sótão, abri meu grimório e procurei por um elixir que havia preparado há muito tempo atrás. Não era difícil e em pouco tempo ele estava pronto. Guardei em um frasquinho no bolso. Quando deu nove, tomei banho, me arrumei e fui ao local combinado. Não pôde ser no mesmo bar, seria evidente. Combinei de pegá-lo próximo à sua casa, eu conhecia a região. Levei-o a um bar mais reservado, cuja procedência eu sabia. Sentamos, conversamos e bebemos. Meu feitiço do feromônio era forte e ele não conseguia tirar os olhos de mim, o que me deixava extremamente nauseado. Mas eu havia decidido e iria até o fim. Depois de um longo papo, muitos drinks, ele disse que precisava ir ao banheiro. Era a oportunidade que eu estava esperando. Quando ele saiu, eu derramei o elixir em sua bebida. A cerveja adquiriu um tom alaranjado, mas ele já estava alto e nem iria reparar. Quando voltou, eu sugeri um brinde de aniversário já que não pude ficar na noite anterior. nós brindamos e ele virou toda a cerveja de uma só vez. 
Como todo aquele jogo de interpretação, eu parabenizei ele pela coragem, poucos segundos depois ele já estava enrolando a língua. Eu disse que o levaria para casa, paguei a conta e fomos para o meu carro. Tive de carregá-lo praticamente no ombro da metade do caminho para lá. Joguei-o no banco do carona, contornei, entrei no carro e dei a partida. Ele já estava fora de si quando cheguem em casa. Apertei o botão do controle remoto da garagem e a porta se abriu. Já dentro, com as portas fechadas, peguei-o no colo e o levei para dentro. E joguei seu corpo inerte sobre a mesa. Com uma corda, amarrei seus pés e suas mãos, cada um em um pé da mesa. Peguei uma faca, sentei e esperei que o efeito do elixir passar. Para o meu azar, eu fiz mais concentrado do que devia. Quando soou três e quarenta e nove da manhã ele deu sinais de consciência. Ainda confuso, olhou em meus olhos e perguntou onde estávamos. Não respondi. Levantei, contornei a mesa e fui até ele. Bem próximo de seu rosto, deslisei minha mão pela sua pele. Ele cheirava a álcool e perfume barato. Sua expressão amedrontada me fazia querer rir. Ele notou a faca em minha mão e instantaneamente seus olhos se arregalaram. Aproximei a lâmina prateada de sua face e as lágrimas começaram a escorrer. Não tardou para que se misturassem com seu sangue. 
Delicadamente abri os botões de sua camisa, com uma trouxa de pano eu calei sua boca. O desespero começou a tomar conta dele e inutilmente começou a se debater. Pressionei a faca contra seu abdômen e aquele líquido carmim marchou-a. Não era suficiente, precisava ir mais fundo Ele tentava gritar e permanecia se debatendo. Idiota, apenas estava aumentando sua dor. Retirei a faca de sua carne e lentamente deslisei-a pela sua pele branca, deixando aquele rastro de sangue por onde a encostava. Eu havia prometido não fazer mais, mas vê-lo sorrindo, depois de ter feito tantas lágrimas caírem. Lágrimas que eu queria secar e não pude. Ele merecia sofrer. Morrer, ainda não. Mas sofrer até que eu me cansasse. Ele claramente não sabia o porque de tudo aquilo, sequer sabia quem eu era. Mas não me interessa. Aquilo era uma satisfação imensa e era tarde demais para voltar atras. Toquei seu tórax com a ponta da faca e pressionei, então desci até seu umbigo, abrindo um corte tão profundo que seu sangue começou a escorrer intensamente. Eu podia sentir sua aura se agitando, o medo que ele sentia. A dor. Era isso que eu queria. Aquilo era alimento por mim. ele deveria sofrer nesta noite o que nós dois sofremos durante todo este tempo. 
Em pouco tempo eu havia feito tantos cortes nele quanto havia em meus pulsos. Fui além. Pressionei a faca mais forte. Desta vez, não para rasgar, mas para perfurar. Pude ver metade de sua lâmina desaparecer. Seu corpo tinha espasmos de dor, suas lagrimas jorravam aos montes, só perdiam para o sangue. Estava ficando cansado, ele era entediante, patético até na hora de morrer. E limpar todo aquele sangue daria um trabalho. Decidi por acabar com aquilo. Pousei a faca na mesa, aproximei-me de seu rosto e sussurei ao ouvido: "Em uma próxima vida, não dê o azar de cruzar meu caminho, ou eu juro que poderei fazer isso por anos. hoje não, estou entediado." e encerrei aquilo com um sorriso debochado. Ele tentava falar, gritar e se debatia, ainda. Nem na hora de morrer aquele infeliz conseguia se portar como homem. Talvez ele realmente merecesse tudo aquilo, afinal de contas. Estalei meu pescoço, peguei a faca e pressionei contra seu tórax. Desta vez o intuito era diferente. Eu queria abri-lo, queria fazer doer onde ele fez doer. O sangue jorrava mais do que nunca, meu objetivo estava quase sendo alcançado e ele estava inconsciente, quase sem vida. Consegui alcançar seu coração antes que este parasse de bater. Se estava vivo ou se era apenas um reflexo, eu não sei, mas pude sentir ele parar bem em minha mão.
Neste momento eu me senti como se estivesse possuído. Não possuído, mas era como se aquela besta dentro de mim com quem eu lutei durante toda a minha vida tivesse finalmente conseguido sair. Eu comecei a chorar, não de remorso, mas de ódio. Ódio porque tudo o que e fizesse com ele não me saciaria. Apertei seu coração e puxei-o, separando de seu corpo já sem vida, arremessei-o do outro lado da sala e gritei, permiti-me apenas isso. Gritar e pôr para fora todo o meu ódio, então eu fui até o rádio, coloquei "Sugarland" de Papa Mali, acendi um Black de menta, sentei-me defronte ao corpo daquele imbecil e deixei que a noite me consumisse. Nada daquilo mudaria o passado, mas o prazer em vê-lo sofrendo compensou a dor que outrora eu não pude amenizar.

Quetskya.

domingo, 3 de novembro de 2013

"...até mesmo os gatos padecem um dia."



De antemão eu aviso, vim aqui para me lamuriar, expressar minhas tristezas mais profundas, chorar, falar o que venho reprimido há muito. Então, se não há disposição para saber o que está sob este sorriso aparente, não leia.
Antes que comecem a falar que eu venho representando. Não, não estou. Quando digo que esto bem, é porque estou. Quando sorrio é por vontade própria. Mas há certas coisas bem lá no fundo do meu coração, coisas que até eu mesmo desconheço, que me incomodam em proporções estratosféricas. Não que as coisas estejam péssimas. Na verdade elas já estiveram muito piores, mas aparentemente certas coisas tendem sempre a não andar para frente. Embora regadas de boa vontade, sinceridade e até mesmo devoção, minhas atitudes não tem demonstrado lá muito efeito. O retorno tem sido pouco. E isso me frustra. Aliás, me magoa. Não intencionalmente, claro, mas mesmo assim o faz.
Eis outro aspecto meu que eu consigo beirar a odiar, às vezes. Minha capacidade de compreensão é tamanha que eu chego a me considerar patético, um pedante à sombra de um desejo cujos ideais são movidos por elementos de outrem. Embora eu já tenha oferecido tudo o que qualquer homem desejaria, já tenha prometido tudo o que qualquer um poderia precisar, não foi o suficiente para fazê-lo mudar de ideia. E fico pensando no que mais poderia fazer, falar, oferecer para Ele. Honestamente eu não sei. Talvez não se trate do que eu possa ou não oferecê-lo, mas do destino. Um destino solitário e previamente definido. 
Eu nunca acreditei que tenhamos um futuro pré-designado por uma entidade, deidade, ou energia universal superior. Acreditei sempre que nossas atitudes faziam com que tudo procedesse de acordo com nossas atitudes, porém minhas últimas reflexões colocaram esta crença em cheque. Ora, se somos nós os donos de nossos destinos porque a história tende a se repetir? E por quantas vezes mais? 
Sinto-me injustiçado, deflagrado, perdido. Não se trata de uma situação em si, mas de todas em um contexto geral. ironicamente eu morri seis vezes. Como um gato, se me permitem a comparação que outrora ouvi. Morri com o coração despedaçado na mão de um alguém que, preocupando-se ou não comigo, feriu-me da mesma forma. Em alguns casos, os caçadores que separaram meu coração de meu corpo não pretendiam fazê-lo e sentiram a dor junto comigo, em algumas nem souberam de tal ato. Mas em outros, ah, em outros eles não só arrancaram meu coração a sangue frio, com um sorriso doentio costurado no rosto, como também beberam dele como uma bolsa de sangue fria e de pouca importância.
Se colocarmos uma bola em cima de um morro, ela irá rolar, inevitavelmente. Temo ser como esta bola, (metaforicamente, claro, rs.) rolar mais uma vez, pela última vez e isso eu juro. Não posso, nem quero e muito menos permitirei, que isso aconteça novamente. Brincar de casinha, com cerca branca e família feliz eternamente não faz mais parte de meus planos. De qualquer maneira, até mesmo os gatos padecem um dia.

Atenciosamente,
Danilo Nascimento.

sábado, 2 de novembro de 2013

E o relógio prossegue tiquetaqueando.



Algo não está certo. 

Desta vez não foi a depressão, a ausência de um ou outro, nem carência ou algo do tipo. É um pressentimento. Não consigo definir se bom ou ruim, ou um misto de todas as atividades do dia. Desde minha saída na noite passada, sinto algo de diferente. Não sei, algo no lugar onde estive, talvez. Quem sabe a presença de alguém. Não sei ao certo. Sei que voltei me sentindo como se não fosse eu mesmo. Meu dia foi bem inquieto, eu estive bastante preocupado, o que é inevitável. Preocupar-se com o bem estar das pessoas que gosto está simplesmente entranhado em mim, mesmo que eu ou outra pessoa não goste. Independente da distância.
Somando isso à energia pesada que se instalou em minha casa, um caos. Aqui era para ser um refúgio, meu porto seguro, mas não é. É na verdade o lugar onde meus problemas começam. Não que eu duvide do carinho e da preocupação de meus familiares, ao contrário. Mas há muito toda essa tensão familiar vem me desgastando.
Eu estou muito orgulhoso de mim. Desci ao inferno, enfrentei meus demônios, meus medos, amadureci, cresci, tornei-me mais equilibrado. Um homem melhor. Para mim e para todos os que estão ao meu redor. Mas confesso que quando olho ao meu redor um gosto metálico invade minha boca. Uma amargura se instala em meu coração. Porque?
Fé. A palavra que me define e que tem feito parte de cada segundo de minha vida em muito tempo. Mas eu estou cansado de ser testado, de tanta resiliencia, de tanta espera. Quanto tempo mais terei de ser paciente? Será que meus cálculos estão certos? Ainda há um bom tempo pela frente, rs.
Bom, antes esperar muito e alcançar a simplesmente lançar-me em um mundo de levianidade e depois arrepender-me.
Tocando neste assunto, permitirei-me mudar o foco da prosa e contar um segundo pensamento que tive há alguns dias. Quanto mais eu conheço minha raça, quanto mais eu vejo do que somos capazes e de como somos primitivos e ignorantes, mas envergonho-me de ser assim. Perdemos a compaixão, a caridade e os bons sentimentos e os que ainda os mantém, sofrem com o peso do arrependimento que os demais recusam-se a sentir.
Penso onde pararemos com essa atitude. A cada dia que se passa, tenho mais certeza de que há um longo caminho a frente. Muito mais complexo que eu imaginava. Se tenho medo? Não. E nunca estive tão feliz em dizer isso. Algumas deduções recentes me fizeram buscar por respostas para algumas coincidências do passado que me fizeram estar exatamente onde estou. Minha conclusão? Não há coincidências. O destino jogou seus dados e cá estamos nós, servindo de peças para seus jogos de tabuleiro divino. 
Cá estou eu, rezando aos deuses para que tenha a oportunidade que me foi negada antes. Rogando para que o medo não me deixe mais uma vez desamparado, sozinho. Embora seja uma situação delicada, arrisco-me a dizer, com toda a certeza do mundo, que não há arrependimento algum. Julgando minhas atitudes anteriores e as de agora, tenho certeza de que meu futuro era findado ao fracasso, a perdas. E com as escolhas que fiz, apenas ganhei. Não tudo o que queria, ou da forma que queria, claro. Mas ganhei. Como mencionei acima, evoluí. Então estou certo de que o caminho é exatamente esse. Não serei apenas mais uma letra nas páginas desta vida. Porque eu tenho tanta certeza? Nem sequer me interessei em saber. Entender o porque  tenho certeza não muda o fato de que é a certeza em si que vai me fazer alcançar meus objetivos. Acredito veementemente que estou fazendo o que devo e que minhas escolhas estão certas e permanecerei neste caminho até não possuir mais forças.
Em resumo, minha fé me mantém de pé. Me dá forças para alcançar meu objetivo.

Atenciosamente,
Danilo Nascimento.

M2M - Don't Say You Love Me

Verse 1:Got introduced to you by a friendYou were cute and all that, baby you set the trendYes you did ohThe next thing I know we're down at the cinemaWe're sitting there, you started kissing meWhat's that about?
Verse 2:
You're moving too fast, I don't understand you
I'm not ready yet, baby I can't pretend
No I can't
The best I can do is tell you to talk to me
It's possible, eventual
Love will find a way
Love will find a way...
CHORUS:
Don't say you love me
You don't even know me
If you really want me
Then give me some time
Don't go there baby
Not before I'm ready
Don't say your heart's in a hurry
It's not like we're gonna get married
Give me, give me some time
Verse 3:
Here's how I play, here's where you stand
Here's what to prove to get any further than where it's been
I'll make it clear, not gonna tell you twice
Take it slow, you keep pushing me
You're pushing me away
Pushing me away...
CHORUS
BRIDGE:
oooo, na, na, na, na, na, na, na
na, na, na, na, na, na
oooo, na, na, na, na, na, na, na
na, na, na, na, na, na, na
Don't say you love me
You don't even know me baby...
Baby don't say love me, baby
Give me some time...








Numb - Sia

I saw you cry today
The pain may fill you
I saw you shy away
The pain will not kill you
You made me smile today

You spoke with many voices
We travelled miles today
Shared expressions voiceless
It has to end

Living in your head
Without anything to numb you
Living on the edge
Without anything to numb you
It has to end to begin
Began an end today

Gave and got given
You made a friend today
Kindred soul cracked spirit
It has to end to begin
Living in your head

Without anything to numb you
Living on the edge
Without anything to numb you
It had to end to begin
Living in your head

Without anything to numb you
Living on the edge
Without anything to numb you
Living in your head

Without anything to numb you
Living on the edgeWithout anything to numb you

domingo, 27 de outubro de 2013

Amar é deixar livre.



Se tem uma coisa que eu aprendi foi que a Magia não cria amor. Ela atrai, abre caminho. Mas manter alguém sob seu controle não é amor, não é estar apaixonado ou sequer gostar. É egoísmo, é pensar apenas em si e esquecer os sentimentos do próximo. É provar exatamente o contrário do que se diz, então todas as promessas se esvaem, e de nada servem. Eu desejo ter o que me for oferecido de bom grado, não tomado. Seria falso e não quero viver de mentirar. Quero viver de verdades.
A maior magia de amor que existe é aquela em que você deseja o amor ao próximo, deseja vê-lo feliz e bem. Como todo neófito, eu cometi este erro uma vez. Ludibriado pelo fato de poder fazer qualquer coisa, por 'dominar' poderes sobrenaturais e por amar, teria o direito de fazer qualquer coisa. Um erro. Não podemos interferir no ciclo natural das coisas, nem no livre arbitro de alguém. É errado, contra a ordem natural das coisas e as consequências são severas. Eu mesmo me julgo estar sendo julgado até hoje. Mesmo após sete anos.
Embora tenha sido doloroso, não me arrependo em si. Isso me ensinou a base pra um grande aprendizado. Amor não é egoísmo. É altruísmo. Não digo amor a um homem ou mulher. Digo amor em si. Aquele que você cultiva em você e para você. E com o tempo sente-se seguro para depositar em outra pessoa. Julga-a merecedora de tal feito. Por isso eu luto por tudo o que quero, todos que gosto. Converso, tento convencer, exponho, desejo o bem, dou toda a assistência, carinho, cuidado e tudo o que eu puder. Independente de quem seja. Mas sobrepujar alguém à minha vontade? Não. Eu não sou assim, não sou egoísta.
De inicio era medo. Não fazia porque saberia que sofreria. Hoje compreendo o peso que tudo isso tem. Não tenho mais medo, tenho respeito. Sei que não devo fazer isso, pois se realmente gosto de alguém, devo desejar o bem a tal. Mas isso não significa que devo desistir. Enquanto eu souber que posso fazer algo para alguém que gosto, assim o farei. O máximo que puder e me for permitido. Mas também saberei aceitar o momento de rendição, se necessário. Apenas se necessário. 
Encerro este poste desejando que a humanidade pare um pouco de pensar sobre trabalho, conta, correria, céu e inferno e tente compreender o que se passa dentro de si. Desejo que eles aprendam com seus erros. Ou ao menos tentem. Não sou perfeito e posso não conseguir aprender tudo, mas tento ao máximo. Me esforço. Estou em uma constante metamorfose, em mudanças e para melhor. Sempre crescendo e aprendendo. E assim permanecerei.
Hoje sei ser mais paciente que antes. Sei esperar a hora certa e sei parar quando necessário. Algo que aprendi quando vi que seria necessário certo amadurecimento. Como diz a música: "Ando devagar porque já tive pressa." E essa pressa em nada me acrescentou. Só não concordo que as coisas devam ficar paradas. Os ciclos não param, a vida continua e, embora seja difícil, devemos continuar também. São essas adversidades que nos testam, nos diferem e nos mostram o tamanho de nossa vontade.

Atenciosamente,
Danilo Nascimento.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Stay Strong



Vivendo um dia após o outro. É assim que tenho vivido. Um dia após o outro, segundo por segundo, sem nada para aliviar a dor. Dor de que, afinal? O que me aflinge? O que me faz falta? O que eu temo? Eu não sei. A única coisa que sei é que eu temo muito. Vejo os dias passando lá fora e toda a forma de distração simplesmente se esvai. Sinto o progresso ao longo do dia, mas quando chega o final de semana tudo simplesmente se desfaz. Porque? Porque simplesmente esses dias tem o poder de me deixar para baixo, de me fazer querer cair em um buraco e me cobrir de terra e permanecer ali para todo sempre?
Minha fragilidade só aumenta, minha dependencia também, e eu me fecho em um casulo de dor e solidão. Não que eu queira, mas é a única fuga que vejo. Enfrentar? Tenho feito isso quando posso, mas nem sempre tenho sucesso. Tenho força? Ora sim, ora não. Em algumas vezes estou tão certo de que conseguirei, em outras, me vejo tão desesperado que me agarro a qualquer outra dor que me tire o foco e me faça sentir menos pior. Temo também pelas cicatrizes. As feridas tem ficado cada vez mais profundas.
Mas porque? Por um homem? A ausência cada vez maior dos amigos? A rejeição da família? Posso realmente culpar cada um deles pela minha fraqueza? Não, não posso. Sou eu, a culpa é minha. Culpar ou me apoiar em alguém jamais fará com que eu me cure, me torne forte. Mas... Qual caminho tomar? Se desistir está fora de cogitação,e está, o que devo fazer? Apenas esperar? E o que mais? Até quando? Porque?
Tantas perguntas que passam pela minha cabeça, tão melancólicas que me fazem querer sangrar. Novamente.

Atenciosamente, 
Danilo Nascimento.

domingo, 20 de outubro de 2013

O que os contos de fadas não contam.


Era uma vez, em um reino distante, uma princesa muito amada e querida por todos de sua família. Era doce, amável e sensível. Mesmo contra a vontade de seus pais, gostava de estar entre seus súditos, ouvindo-os e tentando ajudar em tudo o que podia. Vivia em um lindo castelo e em seu reino nada faltava. Era repleto de abundancia, fertilidade e felicidade. Um dia viajantes de um reino distantes, invejando o que tinham, peregrinaram até lá afim de roubar-lhes tudo o que lhes fossem mais preciosos. Seu pai então reuniu suas tropas. Como um Rei deveras corajoso, juntou-se com seus homens e partiu para interceptar as tropas inimigas que se aproximavam, deixando um rastro de destruição e morte. Infelizmente seu pai faleceu no combate. 
A princesa e a rainha ficaram profundamente tristes com isso. Foi uma perda indescritível. Ela, sendo filha mais velha, também tinha uma irmã. Esta, muito nova, era isenta das responsabilidades que ela tinha. As tropas chegaram ao reino, roubaram, mataram, estupraram e foram embora. Todos perderam muitos. A integridade da família real e de alguns súditos foram poupadas, porém o reino não possuía nada mais. A Rainha então decidiu casar sua filha para que pudesse reconstruir o legado deixado por seu esposo. 
Não tardou até que aparecessem pretendentes. Sua fama percorria muitos e muitos reinos. O primeiro foi um jovem e loiro príncipe, vindo de não muito longe, cortez, conquistou a Rainha que prometeu a mão de sua filha. Com o tempo as investidas do rapar tornaram-se menos gentis e este não esperou a noite de núpcias para possuí-la. Tentou tê-la a força e não houve nada o que se pudesse fazer. Ao descobrir, a Rainha mandou que montassem uma emboscada para o rapaz e este veio a falecer da pior forma possível.
Passado algum tempo, outro pretendente surgiu, um jovem, com alma madura e estudioso. Este, por sua vez, quis conhecê-la mais antes de entregar-se. Infelizmente as qualidades da princesa não foram suficiente para suprir as necessidades do rapaz. Infelizmente a princesa havia se apaixonado por ele e por seu jeito gentil e delicado. Foi obrigada então a vê-lo partir.
Em seguida, vindo de um reino distante, veio um príncipe deveras rico. Ao chegar lá e ver a mudança do reino logo percebeu as intenções da Rainha e descartou qualquer hipótese de casamento. Conheceu a princesa apenas por educação, fez mais uma ou duas aparições e depois desapareceu. Mais uma vez a princesa sofreu a dor da rejeição.
Ela ficou realmente triste com os acontecimentos e a solidão começou a tomá-la. Durante um tempo não houveram pretendentes. Ela então dedicou sua vida aos estudos, à leitura. Com o passar do tempo viu-se apaixonada pelo conselheiro do reino, que por sua vez era amigo de seus pais. Este recusou-se a tê-la em seus braços em honra à memória de seu pai e ao respeito que tem por sua mãe. A princesa ficou muito triste e caiu em uma profunda depressão. A tristeza a devorava por dentro. 
Certo dia caminhando pelos jardins, avistou um poço. Aproximando-se dele, sentou em sua borda e começou a refletir sobre sua vida. Não tardou para que começasse a chorar. E permaneceu assim por longos minutos. Avaliando tudo o que tinha perdido e o pouco que havia ganhado, percebeu o quão deprimente estava sendo sua vida. Tentou então jogar-se dentro do poço. Quem sabe não encontrasse seu amado pai? Porém, no último segundo, foi segurada por duas mãos fortes e delicadas ao mesmo tempo. Era um rapaz que, aparentemente, não pertencia ao seu reino. Provavelmente estava perdido, vindo da floresta, já que chegara tão perto do castelo. Ele a indagou sobre o que fez com que tomasse aquela decisão, ela lhe contou tudo e ele fez um longo discurso sobre o porque devemos ter fé e continuar em frente. Ela então decidiu aguentar firme. Não por ela, mas por sua mãe e por seu reino.
Seus dias passaram a ser mais e mais tristes, embora ela sorria, foram os poucos em que ela realmente quis sorrir. Normalmente esses momentos eram os que ela passava com esse novo amigo, que decidiu ficar por alguns tempos no reino para ajudá-la., a contragosto a Rainha permitiu. Não demorou muito até que seu coração balançasse novamente e ela se viu apaixonada novamente. Neste momento ela sofreu pelo simples fato de ter cedido mais uma vez. Sua mãe, que já vinha observando-os desde o inicio, mandou que o rapaz se fosse, e este, compreendendo a situação toda, não teve outra escolha. Foi expulso do reino e nunca mais pôde voltar.
Ela então passou a não sair do castelo. Ficou apenas observando a vida passar por dentro daquelas grandes janelas. Depois de um longo tempo outro pretendente surgiu. Era educado, engraçado. Parecia um bom marido, porém infiel. Ela não se importava, não o amava e nem queria. Queria apenas ser útil, ajudar seu reino. Algo a ser lembrada. Fazer algo de útil com a sua existência.
O que ninguém esperava era o que estava por vir. Pouco antes de firmarem os laços, apareceu um segundo pretendente. Este, por sua vez, era de um reino tão poderoso quanto o seu fora um dia. Isso foi capaz de pôr a rainha em dúvida. O mais impressionante era que a jovem princesa também viu-se balançada por ele. Era esbelto, alto, bonito e com os olhos tão sedutores como a morte. Viu-se envolta em algo excitante e desejou aquilo. Desejou tê-lo, mesmo tendo desistido. Ela e sua mãe dispensaram o primeiro pretendente que partiu jurando vingança. O segundo príncipe foi acolhido da melhor forma possível. Não demorou muito para que ele visse os encantos dela, menos ainda para perceber as fraquezas. Ele, como ela, foi castigado pela vida. Uma vida um tanto mais longa e muito mais difícil. Viu em sua mão algo tão frágil e delicado. Arriscou-se, mas foi consumido pelo medo. Não poderia se arriscar a quebrar peça tão preciosa e delicada. Decidiu por partir. A princesa neste momento já havia sido consumida pela paixão e o desejava mais do que tudo em sua existência.
O que a encantou foi sua força. Ela o queria por ser forte e porque ele poderia ensiná-laa ser forte. Ele, por sua vez, não quis ajudá-la. Foi-se sem ao menos dizer adeus. A princesa não resistiu. Não possuía forças para mais nada. Limitou-se então a ficar deitada em seu quarto, esperando o momento de sua partida. Todas as lembranças perfuravam-na como lâminas envenenadas que corroíam-na por dentro. Ela então ficou revivendo aquele último momento, observando aquele homem partir. O único que a fez realmente sentir viva, correspondida e feliz. Tudo o que tinha forças era rezar a Deus para que ele retornasse, para que seu amado voltasse e pudesse ajudá-la. Não suportou a rejeição, o acumulo de tristeza e de perdas. A dor foi tamanha que ela não possuía forças sequer para levantar-se e buscar algo para parar a dor. Quis ir ao poço, mas não possuía forças nas pernas, por não se alimentar mais. Tudo o que fazia era definhar de tristeza, por ter perdido a última oportunidade que lhe foi concedida. Ela não mais desejava amor, desejava apenas salvação.

Reza a lenda que ela ainda espera pelo retorno de seu amado príncipe até hoje.

Atenciosamente,
Danilo Nascimento.

Hachikō, o cão fiel.


"Hachikō foi trazido a Tóquio pelo seu dono, Hidesaburō Ueno, um professor do departamento de agricultura da Universidade de Tóquio. O professor Ueno, que sempre foi um amante de cães, nomeou-o Hachi (Hachikō é o diminutivo de Hachi) e o encheu de amor e carinho. Hachikō acompanhava Ueno desde a porta de casa até à, não distante, estação de trens de Shibuya, retornando para encontrá-lo ao final do dia. A visão dos dois, que chegavam na estação de manhã e voltavam para casa juntos na noite, impressionava profundamente todos os transeuntes. A rotina continuou até maio do ano seguinte, quando numa tarde o professor não retornou em seu usual trem, como de costume. A vida feliz de Hachikō como o animal de estimação do professor Ueno foi interrompida apenas um ano e quatro meses depois. Ueno sofrera um AVC na universidade naquele dia, nunca mais retornando à estação onde sempre o esperara Hachikō.
Em 21 de maio de 1925, o professor Ueno sofreu um derrame súbito durante uma reunião do corpo docente e morreu. A história diz que, na noite do velório, Hachikō, que estava no jardim, quebrou as portas de vidro da casa e fez o seu caminho para a sala onde o corpo foi colocado e passou a noite deitado ao lado de seu mestre, recusando-se a ceder. Outro relato diz como, quando chegou a hora de colocar vários objetos particularmente amados pelo falecido no caixão com o corpo, Hachikō pulou dentro do caixão e tentou resistir a todas as tentativas de removê-lo.
Depois que seu dono morreu, Hachikō foi enviado para viver com parentes do professor Ueno, que moravam em Asakusa, no leste de Tóquio. Mas ele fugiu várias vezes e voltou para a casa em Shibuya, e, quando um ano se passou e ele ainda não tinha se acostumado à sua nova casa, ele foi dado ao ex-jardineiro do Professor Ueno, que conhecia Hachi desde que ele era um filhote. Mas Hachikō fugiu daquela casa várias vezes também. Ao perceber que seu antigo mestre já não morava na casa em Shibuya, Hachikō ía todos os dias à estação de Shibuya, da mesma forma como ele sempre fazia, e esperou que ele voltasse para casa. Todo dia ele ía e procurava a figura do professor Ueno entre os passageiros, saindo somente quando as dores da fome o obrigavam. E ele fez isso dia após dia, ano após ano, em meio aos apressados passageiros. Hachikō esperava pelo retorno de seu dono e amigo.
A figura permanente do cão à espera de seu dono atraiu a atenção de alguns transeuntes. Muitos deles, frequentadores da estação de Shibuya, já haviam visto Hachikō e o professor Ueno indo e vindo diariamente no passado. Percebendo que o cão esperava em vão a volta de seu mestre, ficaram tocados e passaram, então, a trazer petiscos e comida para aliviar sua vigília.
Por nove anos contínuos Hachikō aparecia ao final da tarde, precisamente no momento de desembarque do trem na estação, na esperança de reencontrar-se com seu dono."

E assim seguiu-se até o dia de sua morte.