Algo não está certo.
Desta vez não foi a depressão, a ausência de um ou outro, nem carência ou algo do tipo. É um pressentimento. Não consigo definir se bom ou ruim, ou um misto de todas as atividades do dia. Desde minha saída na noite passada, sinto algo de diferente. Não sei, algo no lugar onde estive, talvez. Quem sabe a presença de alguém. Não sei ao certo. Sei que voltei me sentindo como se não fosse eu mesmo. Meu dia foi bem inquieto, eu estive bastante preocupado, o que é inevitável. Preocupar-se com o bem estar das pessoas que gosto está simplesmente entranhado em mim, mesmo que eu ou outra pessoa não goste. Independente da distância.
Somando isso à energia pesada que se instalou em minha casa, um caos. Aqui era para ser um refúgio, meu porto seguro, mas não é. É na verdade o lugar onde meus problemas começam. Não que eu duvide do carinho e da preocupação de meus familiares, ao contrário. Mas há muito toda essa tensão familiar vem me desgastando.
Eu estou muito orgulhoso de mim. Desci ao inferno, enfrentei meus demônios, meus medos, amadureci, cresci, tornei-me mais equilibrado. Um homem melhor. Para mim e para todos os que estão ao meu redor. Mas confesso que quando olho ao meu redor um gosto metálico invade minha boca. Uma amargura se instala em meu coração. Porque?
Fé. A palavra que me define e que tem feito parte de cada segundo de minha vida em muito tempo. Mas eu estou cansado de ser testado, de tanta resiliencia, de tanta espera. Quanto tempo mais terei de ser paciente? Será que meus cálculos estão certos? Ainda há um bom tempo pela frente, rs.
Bom, antes esperar muito e alcançar a simplesmente lançar-me em um mundo de levianidade e depois arrepender-me.
Tocando neste assunto, permitirei-me mudar o foco da prosa e contar um segundo pensamento que tive há alguns dias. Quanto mais eu conheço minha raça, quanto mais eu vejo do que somos capazes e de como somos primitivos e ignorantes, mas envergonho-me de ser assim. Perdemos a compaixão, a caridade e os bons sentimentos e os que ainda os mantém, sofrem com o peso do arrependimento que os demais recusam-se a sentir.
Penso onde pararemos com essa atitude. A cada dia que se passa, tenho mais certeza de que há um longo caminho a frente. Muito mais complexo que eu imaginava. Se tenho medo? Não. E nunca estive tão feliz em dizer isso. Algumas deduções recentes me fizeram buscar por respostas para algumas coincidências do passado que me fizeram estar exatamente onde estou. Minha conclusão? Não há coincidências. O destino jogou seus dados e cá estamos nós, servindo de peças para seus jogos de tabuleiro divino.
Cá estou eu, rezando aos deuses para que tenha a oportunidade que me foi negada antes. Rogando para que o medo não me deixe mais uma vez desamparado, sozinho. Embora seja uma situação delicada, arrisco-me a dizer, com toda a certeza do mundo, que não há arrependimento algum. Julgando minhas atitudes anteriores e as de agora, tenho certeza de que meu futuro era findado ao fracasso, a perdas. E com as escolhas que fiz, apenas ganhei. Não tudo o que queria, ou da forma que queria, claro. Mas ganhei. Como mencionei acima, evoluí. Então estou certo de que o caminho é exatamente esse. Não serei apenas mais uma letra nas páginas desta vida. Porque eu tenho tanta certeza? Nem sequer me interessei em saber. Entender o porque tenho certeza não muda o fato de que é a certeza em si que vai me fazer alcançar meus objetivos. Acredito veementemente que estou fazendo o que devo e que minhas escolhas estão certas e permanecerei neste caminho até não possuir mais forças.
Em resumo, minha fé me mantém de pé. Me dá forças para alcançar meu objetivo.
Atenciosamente,
Danilo Nascimento.

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