Era uma tarde como outra
qualquer. Eu havia saído cedo para resolver alguns assuntos financeiros. Ao
terminar, notei que faltava pouco para que uma amiga saísse do trabalho então
resolvi espera-la. Dei uma volta, olhei umas vitrines, não sabia se tomaria
sorvete ou não. Decidi por não tomar. Não tardou até encontra-la. Sentamos,
conversamos, rimos e ela até me ajudou a comprar uma blusa, caso viesse a
precisar. Encerramos o encontro com uma pizza. Mais rizadas. Deu a nossa hora. Levantamo-nos
e nos dirigimos à saída. Então o tempo parou.
Eu não esperava, mas lá estava
ele. Meu coração parou e congelou, logo acelerou como nunca antes. Não tive
reação e quando dei por mim, estava indo na direção contrária. Caso me
perguntassem, não saberia meu nome. Demos a volta na praça de alimentação. Procurei
meu celular para mandar uma mensagem, porém foi difícil desbloqueá-lo. Minhas
mãos estavam suadas e trêmulas. Com dificuldade consegui, mas fui trazido à
realidade pela voz de minha companheira, que chamava meu nome em tom de
urgência, como um alerta. Encarei-a e a vi olhando para o chão. Olhei para
frente e lá estava ele, parado na fila de uma de suas lanchonetes preferidas.
Então seus olhos encontraram os meus. Não imagino minha expressão, e nem quero.
Tenho vergonha de descobrir que fiz alguma careta. Mas ele, ah ele não mudou
absolutamente nada. Seu olhar profundo, sua leveza nos movimentos como em um
espetáculo perfeito, um catargo. Sua expressão de falsa surpresa moderada. O
homem a quem dei meu coração.
Dirigi-me a ele, conversamos. Ele
me explicou sobre seus compromissos próximos. Conversamos sobre, ele pegou seu
lanche e se despediu. Combinamos de falar depois, ele saiu e eu me dirigi ao
banheiro mais próximo tranquei-me em um reservado e observei as lágrimas
atingirem imediatamente o chão. Elas escorriam pelo meu rosto, corroendo minha
pele como ácido. Então parado ali, encarando todas aquelas mensagens sobre sexo
grátis e listas de números de pretendentes, concluí que não adiantaria correr, eu
não iria esquecê-lo. Iria apenas andar em círculos, deixando para trás um
rastro de corações partidos. Corações esses que não merecem tamanha maldade. O
desfecho de tudo seria o ponto de partida. A certeza de que não quero ninguém,
senão ele.
Agora vou me recolher à escuridão
de meu quarto, acalmarei meu coração e me deliciarei com as mensagens recentes.
Assim, esperarei até que a dose dupla de meu remédio faça efeito.
Tenham uma boa noite,
Quetskya.

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