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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

What if...



Eu vivi tanto tempo almejando de volta uma vida perfeita que quando notei que ela não beirava, nem de longe, perdi completamente o chão que pisava. Dediquei um amor unilateral que me rendeu muita mágoa, decepções e desconfiança de cada pessoa que me cerca. Tal estagnação me fez perder tanto tempo de minha vida, e me deixou com tantas sequelas, e elas  perduram até o dia de hoje, literalmente.
Como duas pessoas que se amaram podem se odiar num picar de olhos? Como pode acontecer de elas desejarem longe uma da outra? Eu não vejo sentido disso. Deste manimento completo de um da vida do outro. Sou adepto de uma boa conversa, mas também admito que não sou perfeito de algumas vezes não sei lidar perfeitamente com algumas situações que a vida nos impõe. Sou humano, erro, tenho medo, me aborreço, me estresso, grito, falo coisas da boca pra fora, magoo pessoas, mas também tenho humildade de admitir tudo. Infelizmente, hoje, me encontro numa situação em que eu não posso fazer isso. Não posso me desculpar, não posso me redimir. Não sou de aço e tenho limitações, mas esperam tanto de mim que não enxergam meus momentos. Na verdade, acredito que as pessoas não acreditem que eu tenha direito a desabar, às vezes. Mas adivinhe, eu tenho.
Não me preocupo em ter um texto rebuscado ou qualquer coisa do tipo. Não escrevo para um público, mas para abrandar meu coração.
"What if", termo em inglês que significa "E se".
E se eu pudesse voltar ao passado?
Bem, essa é simples. Se eu pudesse regressar um ano, mostraria mais afeto a você, talvez assim seus olhos jamais deixariam de olhar os seus. Eu, certamente, teria deixado todo meu passado no passado. Revivê-lo sempre foi meu maior defeito. Isso foi parte da ruína da vida que eu poderia ter tido. Hoje, as coisas estão completamente diferentes do que eu previa. Piores, claro, e não há o que eu possa fazer. Meus erros nunca foram passíveis de perdão, então tudo o que me resta agora é saborear esse gosto amargo da derrota, do fracasso. Fracasso esse estampado em seus olhos, que perfura meu coração e mente toda vez que sinto seu cheiro, mas não posso tocá-lo.
Eu busquei isso, afinal. Não culpo ninguém, senão eu mesmo. Tudo o que eu gostaria é de ter a chance de não permitir que todo aquele amor vire ódio, porque isso sim seria difícil pra mim.


"What if there was no light
Nothing wrong nothing right
What if there was no time
And no reason or rhyme"


Quetsciah.



terça-feira, 5 de agosto de 2014

"Com medos bobos e coragens absurdas."




"...Eu: Como você nunca viu?
Ele: Apenas ignoro onde não preciso agir.
Eu: Então você não precisou agir na época?..."

Silêncio.

Assim encerrou-se nossa ultima conversa. Desde então, mais nenhuma palavra. Apenas muitos pensamentos. Essas palavras finais me levaram a considerar bastantes coisas. Foi algo realmente pouco importante para ele? Ou eu apenas não era bom o suficiente para que alguém lute por mim? Não acredito nesta alternativa posterior, conheço minhas capacidades e sei bem o quão bom eu tentei ser, apenas não tive permissão para tal. Mas o mais importante é que em meio às reflexões, pude notar que embora onze meses tenham se passado, ainda o desejo, meus sentimentos nada diminuíram, apenas ascenderam. E tornaram-se mais puros, genuínos.
Mesmo tendo todos os motivos para ter desistido, odiado, não o fiz. Não pude conhecê-lo a fundo, admito. Mas pude sentir o quão flagelada estava aquela alma, que embora nobre e Grande, estava fria e triste. Por isso dediquei-me, e dedico-me, tanto. Por saber que não há nobre alma neste mundo que dedicaria sua existência em prol de alguém. Minha raça é extremamente egoísta e ignorante, e isso me deixa em completa melancolia. Aquelas marcas deixadas naquele espírito através do tempo foram deixadas por nós, por mim, incluindo, então eu prometi voltar, e voltar. E eu voltei, e não permitirei que qualquer um outro tome seu lugar. Eu o escolhi, e será assim até meu último suspiro. Tenho esperanças de que um dia todo meu esforço, perseverança e fidelidade seja reconhecida, mas sei que pode ser preciso bem mais de onze meses. Eu tenho toda essa vida, mas caso seja necessário, retornarei um dia.
Sempre admirei a nobreza daquele ser enigmático e encantador, e isso fez-me querer estar ali, e em nenhum outro lugar, mas as circunstâncias trouxeram dias diferentes dos que planejei. Para sua desgraça, a pobre criatura que me causou problemas, não sabia de minha capacidade e coragem. Creio veementemente que jamais tocará a vida de outra pessoa. Cuide pessoalmente disso. Mas isso não me faz completo. Vingar-me jamais trouxe-me meu amor de volta, ao contrário. Mas causar dor a quem me ensinou a dor foi definitivamente magnífico. Enfim, este não é meu foco. O ponto que quero enfatizar é que tenho meus objetivos bem claros e lutarei por eles.
Vai haver a época em que outro homem ocupará seu lado da cama, e isso será pior que a verdadeira morte para mim, mas não levo tanta fé na humanidade e temo ser apenas mais uma marca de muitas que já foram feitas. Talvez algum dia Ele perceba que eu não sou como todos os outros. 
Não serei cansativo e repetitivo. Encerro minhas reflexões por aqui, demonstrando meu anseio de ver um belo sorriso daqueles pequenos e doces lábios. Que os deuses olhem por mim e que nunca me falte forças.

Quetsciah.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Um brinde com lágrimas e sangue.



Ontem, dezoito de fevereiro, completou cinco meses desde que me entreguei ao anjo da morte, que coloquei-me em suas mãos. Consequentemente cinco meses que perdi a única pessoa que me foi realmente importante. Meu dia não foi, nem de perto, bom. Movido a lembranças, saudades e lágrimas. Muitas delas. Em reflexão, voltei no tempo e fiz uma autoavaliação de minha vida. Dividindo em antes, durante e depois d'Ele, concluí que: Antes, não havia perspectiva alguma. Tinha algumas metas profissionais e alguns sonhos no campo sentimental. Durante eu apenas vivi e fui feliz. Há quem diga que não, mas eu vivi. E depois.... Rs. Depois eu me vi num limbo. Um limbo que perdura desde então.
Desde então eu fiz a minha vida de momentos; Não de momentos alegres. Não vou negar que estes não existam, mas foram principalmente pequenos momentos de anestesia. Para que eu pudesse, naquele momento, diminuir a dor. Toda aquela dor. Não tem sido fácil, não gostaria de estar assim. Hoje eu vivo minha vida, procuro estabilizá-la, mas decidi não abrir meu coração para mais ninguém. Não que seja relutância. mas eu não seria capaz de entregar-me a outro. Eu dei meu coração a ele e apenas a ele pertence. Agora não há mais nada que eu possa fazer. Estou conformado e sequer fico chorando por isso, apenas sigo em frente. A esperança em mim não morreu, nem nunca morrerá. Também não seria tolo de tentar me entregar a outro, novamente, e causar tanta dor a alguém. Não seria capaz de me perdoar.
Sem mais delongas, encerro este post dizendo o quanto Ele me faz falta, o quanto eu gostaria que ele estivesse aqui, mas também torço por ele onde quer que ele esteja. Que todos os problemas que o rodeiam, sejam sanados e que ele consiga, com a benção do Conselho Kármico, livrar-se de seu Karma, que tanto o machuca.
Agradeço à paciência de todos que isso lerem, embora tenha a impressão de que ninguém o faz.

Quetskya.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Hoje, minhas lágrimas são de sangue.



Há tempos não venho aqui, porém uma enorme necessidade de expressar minhas angústias somada ao fato de o teclado de meu Netbook ter voltado a funcionar fez com que voltasse a fazer postagens aqui. 
Sinto-me vazio. Há um enorme buraco em meu peito, um vazio que nada nem ninguém pode preencher. Sei disso, pois já tentei. Tentei encontrar alivio para minhas dores, mas cada vez que tento, ela se agrava ao ponto de que penso se não seria melhor entrar em coma. Meu coração sangra. Sangra mais e mais a cada segundo que se passa. Enfim meu pesadelo está se tornando verdade. Solidão. Durante toda a minha vida eu tive medo do escuro. Medo esse derivado do meu enorme pavor da solidão, e hoje vejo que não pude fugir dela. Temo pelas pessoas ao meu redor, pois elas sempre acabam sofrendo, sofrendo pelo meu sofrimento e também pelo sofrimento que os faço sentir. 
Minha mãe um dia não estará aqui, meus amigos terão suas famílias e eu... Bom, começo a achar que essa parada de Estrela da Solidão é realmente verdade. apaixonei-me por um homem maravilhoso, que foi ótimo para mim, mas causei nele tanta dor que hoje ele não suporta mais. E isso me enlouquece, me faz querer gritar até que minha existência desapareça, assim não haveria mais dor. Nem para mim ou ninguém.
Fiz de tudo, disse tudo, prometi tudo o que qualquer um pudesse querer e tudo sem efeito. Porque não? Qual é o problema comigo? Porque estou fadado a tudo isso? Sinto-me incapaz de ser amado, desejado, de ser feliz. Tive minha oportunidade por esta vida e deixei passar, não só deixei passar. Destruí ela, ele, nós. Sou uma bomba ambulante, deixando atrás de mim um rastro de dor e tristeza. Não vou mais perder meu tempo implorando aos deuses ou humano algum para que amenize minha dor. Vou apenas deitar e esperar que esse buraco cresça o suficiente para que me consuma. Não estou me entregando, ao menos não sem tentar. Me esforcei ao máximo, em todos os caminhos que pude. "Viver" agora, parece o maior castigo que alguém poderia ter, já que não há forma digna de se fazer isso.

Quetskya.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Crônica de uma sexta-feira qualquer...



Era uma tarde como outra qualquer. Eu havia saído cedo para resolver alguns assuntos financeiros. Ao terminar, notei que faltava pouco para que uma amiga saísse do trabalho então resolvi espera-la. Dei uma volta, olhei umas vitrines, não sabia se tomaria sorvete ou não. Decidi por não tomar. Não tardou até encontra-la. Sentamos, conversamos, rimos e ela até me ajudou a comprar uma blusa, caso viesse a precisar. Encerramos o encontro com uma pizza. Mais rizadas. Deu a nossa hora. Levantamo-nos e nos dirigimos à saída. Então o tempo parou.
Eu não esperava, mas lá estava ele. Meu coração parou e congelou, logo acelerou como nunca antes. Não tive reação e quando dei por mim, estava indo na direção contrária. Caso me perguntassem, não saberia meu nome. Demos a volta na praça de alimentação. Procurei meu celular para mandar uma mensagem, porém foi difícil desbloqueá-lo. Minhas mãos estavam suadas e trêmulas. Com dificuldade consegui, mas fui trazido à realidade pela voz de minha companheira, que chamava meu nome em tom de urgência, como um alerta. Encarei-a e a vi olhando para o chão. Olhei para frente e lá estava ele, parado na fila de uma de suas lanchonetes preferidas. Então seus olhos encontraram os meus. Não imagino minha expressão, e nem quero. Tenho vergonha de descobrir que fiz alguma careta. Mas ele, ah ele não mudou absolutamente nada. Seu olhar profundo, sua leveza nos movimentos como em um espetáculo perfeito, um catargo. Sua expressão de falsa surpresa moderada. O homem a quem dei meu coração.
Dirigi-me a ele, conversamos. Ele me explicou sobre seus compromissos próximos. Conversamos sobre, ele pegou seu lanche e se despediu. Combinamos de falar depois, ele saiu e eu me dirigi ao banheiro mais próximo tranquei-me em um reservado e observei as lágrimas atingirem imediatamente o chão. Elas escorriam pelo meu rosto, corroendo minha pele como ácido. Então parado ali, encarando todas aquelas mensagens sobre sexo grátis e listas de números de pretendentes, concluí que não adiantaria correr, eu não iria esquecê-lo. Iria apenas andar em círculos, deixando para trás um rastro de corações partidos. Corações esses que não merecem tamanha maldade. O desfecho de tudo seria o ponto de partida. A certeza de que não quero ninguém, senão ele.
Agora vou me recolher à escuridão de meu quarto, acalmarei meu coração e me deliciarei com as mensagens recentes. Assim, esperarei até que a dose dupla de meu remédio faça efeito.
Tenham uma boa noite,

Quetskya.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

"...Unconditional, Unconditionally..."



Há alguns dias uma lembrança tem martelado minha cabeça...

O ar gélido do condicionador de ar acertou-me em cheio e por puro reflexo eu passei meus próprios braços pelo meu corpo. Reclamei algo sobre o frio. Ele, que estava ao meu lado, segurou meu braço e se pôs entre a massa de ar gelada e eu. Assim eu não receberia um choque muito grande. Eu não esperava por isso, fiquei olhando-o por alguns segundos, pensando no ato que ele acabara de fazer para mim. Ninguém jamais foi capaz de tal gentileza, ou de gentileza alguma. Fiquei constrangido. Abaixei minha cabeça por uns instantes. 
Os outros estavam longe, estávamos sozinhos e não dançávamos ainda. O som era alto e a luz, ausente. Conversávamos sobre qualquer coisa então ele falou algo sobre uma menina e me segurou pelo braço, indicando alguém. Dizia que ela quase havia caído. Falamos mais duas ou três frases, então seus dedos firmes e cuidadosos circundaram meu braço novamente. Tratei logo de procurar a menina que cismava em se jogar daquela grade. Porém, desta vez meu corpo foi direcionado de forma diferente, além. Não só fui puxado para perto, como também fui girado em sua direção. Seu copro estava quase colado ao meu e seus olhos, semicerrados. Não houve tempo para pensar, eu apenas me permitir mergulhar na profundidade daqueles olhos azuis-prateados, fechei os meus mortais castanhos escuros e me deliciei com aquele momento.
Seu toque era suava, másculo e calmo. Seus lábios tocaram os meus e invadiram minha alma. seus braços seguravam, não só minha cintura, mas minha sanidade junto a mim. Naquele momento eu me elevei. Beijar seus lábios era como provar do Néctar dos deuses, ainda guardo o sabor comigo até hoje. Para mim, Néctar tem gosto de beijo com stella artois. Aquele momento durou, para mim, algumas centenas de anos. Era como se eu tivesse revivido todo o meu passado e o meu futuro e ainda estivesse ali. Suas mãos, ainda ao redor de minha cintura, erguiam-me de encontro a ele, mantinham-me firme e eu me segurava em seu pescoço, desejando nunca mais soltar. Vivi cada segundo como se fosse o último e não pensei em mais nada. Seu perfume, pela primeira vez, tocou-me e fez-me sentir como se estivesse caminhando sob as nuvens. Deliciei-me com aquele momento, até que fui trazido de volta ao meu corpo por uma música que muito gosto. Heart Attack, da Demi Lovato. À letra de tal música, permanecemos abraçados e suspiramos, ambos, receosos. 

Hoje eu digo, não me arrependi, nem por um segundo, de ter me entregado a isso. Jamais. Proporcionou-me um enorme aprendizado e momentos deliciosos. Meu coração ainda palpita À simples menção de seu nome, eu ao ver, aleatoriamente  alguém que se assemelha a ele. Meus ossos tremem e minha alma gela. Mas não de forma ruim, pois o meu coração palpita. Nenhum abraço, beijo ou palavras poderá substituir os dele enquanto ele ainda estiver em meu coração da forma como está. Por este motivo eu decidi que guardarei meu coração para ele. Em outros momentos eu decidia esquecer, segui em frente, mas não desta vez. Desta vez eu não vou me conformar que não posso ser feliz e lutarei pelo que desejo. Por quem desejo e estou, sim, apaixonado. Não há um dia em que não o deseje ao meu lado, mas aquieto-me, dando-lhe seu tempo, e o meu respeito, por consequência, mas é verdade que jamais deixei de acreditar, ou ter esperanças. E assim eu continuarei até que chegue o dia em que repousarei novamente em seus braços.

Quetskya.

Hitsuzen.



Há muito venho refletido sobre a minha vida. Sobre tudo o que passou, sobre quem era antes e o que me tornei. Tive a oportunidade de viver coisas maravilhosas e outras, nem tanto, mas ambas me ajudaram acrescer de forma inacreditável. Vivenciei dois extremos estilos de vida e hoje venho filtrando todos os ensinamentos, os valores, as escolhas, enfim. Tem sido um grande momento de reflexão e de descoberta, redescoberta, reinvenção. De fato, de todos o maior ensinamento foi o "nunca diga nunca". Eu já tinha isso em mente, mas aprendi que tal afirmação para coisas que possam parecer insignificantes hoje, podem não ser no futuro. 
Este momento de reclusão tem me feito ter certeza de tudo o que quero para a minha vida, está me permitindo mudar minha concepção de certas coisas que antes me prejudicaram deveras. Não pela coisa em si, mas pela forma como eu encarava. Aprendi também a julgar o que são conceitos meus e o que são alheios que, embora eu admire muito, não são meus de fato.
Mas o principal... Todo esse tempo me fez ter certeza absoluta de quem eu quero. A este ponto, com a ajuda de seres divinos, as pessoas que de fato não devem permanecer em minha vida estão se retirando. As falsas, por assim dizer. Tem sido chocante ver "amigos" virando as costas para mim, mas no fundo é um alívio saber que não mais estão ao meu lado. Quero comigo quem me faz bem. E falando em pessoas que me fazem bem... Rs, minhas aspirações  continuam as mesmas. Então eu reafirmo e continuo convicto em meu pensamento de irei esperar. Enquanto eu me encontrar assim, esperarei. E feliz. Eu esperei por mil anos, esperarei por mais mil.

Quetskya.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Katy Perry - Unconditionally

Oh, no, did I get too close?
Oh, did I almost see
What’s really on the inside?
All your insecurities
All the dirty laundry
Never made me blink one time
I will love you unconditionally
There is no fear now
Let go and just be free
I will love you unconditionally
Don’t need apologies
Know that you are worthy
I'll take your bad days with your good
Walk through this storm, I would
I’d do it all because I love you, I love you
I will love you unconditionally
There is no fear now
Let go and just be free
I will love you unconditionally
Open up your heart, and just let it begin
Open up your heart, and just let it begin
Open up your heart
Acceptance is the key to be
To be truly free
Will you do the same for me?
I will love you unconditionally
And there is no fear now
Let go and just be free
‘Cause I will love you unconditionally (oh, yeah)
I will love you
I will love you
Unconditionally
Unconditional, unconditionally
Come just as you are to me
Unconditional, unconditionally
So open up your heart, and just let it begin
Unconditional, unconditionally
I will love you

"O que para a aranha é normal, para a mosca pode ser o caos."



Era uma bela noite, aquela. Só não era melhor pelo fato de eu ter chorado todo o dia. Não fui trabalhar, nem à academia. Meu telefone mostrava 28 ligações perdidas. Passei o dia todo evitando qualquer contato. Precisava daquele tempo só para mim. Então, ainda de jejum, com o rosto inchado e os olhos vermelhos, resolvi sair. Dar uma volta, quem sabe eu melhorasse. Embora não sentisse vontade, a noite me convidava. Eu aprendi a apreciar as trevas, bem como a luz.
Vesti algo preto, a ocasião pedia isso. Saí, sem rumo. Peguei um taxi para o centro e de lá andei sem rumo pelas ruas. Via os jovens andarem animados, entrarem e saírem do metrô. Bem arrumados, preparando-se para suas festas. Me recordo desta minha fase vazia. Sair, encher a cara e dançar até não poder mais. Não costumava me envolver com ninguém em festas. Em festas. Prossegui minha caminhada, atravessei um beco e deixei uma nota qualquer, que nem me dei ao trabalho de olhar o valor, a um mendigo que me abordara. Se não tive medo de um assalto? Ninguém em sã consciência tentaria algo contra mim, especialmente naquela noite. A viela desembocava em uma rua maior, apinhada de bares do inicio ao fim. Não sabia bem onde estava. Na verdade, sequer estava olhando por onde andava. Foi assim que tudo começou.
Trombei com um homem, ele usava uma calça jeans justa e uma camisa de manga branca. Nada me chamou a atenção. Porém eu o encarei e neste momento perdi meu chão. Seus traços me lembravam os dele. Não a cor da pele, muito menos sua estatura. Mas seus lábios, pequenos, finos, daqueles em que você não quer parar de beijar nunca mais. Ele me encarou e sorriu. Eu estava abestalhado, por um segundo imaginei que o próprio estava ali bem na minha frente, olhava para ele, ainda perplexo, em choque. Ele ficou constrangido com meu olhar e sorriu desajeitado, estendeu a mão e se apresento. Retribuí o aperto de mão e disse-lhe o meu. Logo estávamos sentados em uma daquelas mesas bebendo e conversando. 
Não se parecia em nada com quem imaginei, a postura, a voz, e até mesmo o papo, seu cheiro era menos nobre e sua aura, fraca. Seus olhos sequer eram penetrantes, apenas castanhos. Normais. Sem graça. Mas parecia ser um bom rapaz. Ele estava sozinho e chegou cedo para o encontro com os amigos. Conversamos uns quarenta minutos, uma hora? Não sei, perdi a noção do tempo. Tudo em que eu conseguia me concentrar era em seus lábios, o formato de sua barba. Ah, no rosto certo e aquilo me enlouquecia. O movimento de sua boca me hipnotizava e não tardou a eu voltar ao passado. Relembrar o gosto daquele beijo com sabor de cerveja. Eu detesto cerveja, mas é impressionante como nada tinha gosto ruim em sua boca. Ela era mágica... Divina. Resolvi encerrar o assunto, nos despedimos e cada um foi para seu canto. Ao sair, ele me perguntou se eu queria o telefone dele. Trocamos os números. Ainda não sei bem o porquê.
Estava ainda mais atordoado do que quando saí de casa. 
Daí para frente tudo foi muito doloroso. Cada esquina, cada restaurante, cada cinema em que passava em frente me relembrava nossos momentos naqueles lugares. Era como se eles sentissem prazer em ver minhas lágrimas caírem. Eu conseguia ver vida naqueles lugares, vida e prazer pela minha dor. Andei aleatoriamente durante muitos minutos, ou foram horas? Não me assustaria se tivessem sido dias. Revivi cada segundo daqueles últimos meses ao lado dele. Até minhas pernas doerem e minhas lágrimas secarem. Então entrei no primeiro bar que vi, achei um cantinho tranquilo, pedi o drink da casa. Logo fui servido. 
Do outro lado do bar havia um grupo de seis jovens comemorando o aniversário de um deles, ele se destacava pelo sorriso envergonhado por ser o centro das atenções, observei-o. Mal pude acreditar no que estava vendo. Meu estomago revirou, meus dentes cerraram e o ódio me consumiu. Era aquele idiota que um dia feriu o coração do homem por quem eu vina chorando há meses. Encarei-o por minutos, ele não me conhecia, mas eu sabia quem era. Não o achei bonito. Nem por foto e muito menos pessoalmente. Sua aura era agitada, descontraída e feliz. Enquanto causava dores por aí. Tomei uma decisão, chamei o garçom e pedi para que ele entregasse para o rapaz. Fiquei observando. Vi sua reação de surpresa, os risos e brincadeiras dos amigos desconhecidos e ergui meu copo para ele. Ele aceitou, houve cochichos e ele se levanto. Veio até mim agradecendo e eu o convidei para sentar. Ele me chamou a juntar-se a ele. Não poderia ser visto, poderia ser reconhecido. Dei uma desculpa e chamei-o para sair. Peguei seu telefone, paguei a conta e saí.
No dia seguinte liguei para ele e combinamos tudo. Fui ao sótão, abri meu grimório e procurei por um elixir que havia preparado há muito tempo atrás. Não era difícil e em pouco tempo ele estava pronto. Guardei em um frasquinho no bolso. Quando deu nove, tomei banho, me arrumei e fui ao local combinado. Não pôde ser no mesmo bar, seria evidente. Combinei de pegá-lo próximo à sua casa, eu conhecia a região. Levei-o a um bar mais reservado, cuja procedência eu sabia. Sentamos, conversamos e bebemos. Meu feitiço do feromônio era forte e ele não conseguia tirar os olhos de mim, o que me deixava extremamente nauseado. Mas eu havia decidido e iria até o fim. Depois de um longo papo, muitos drinks, ele disse que precisava ir ao banheiro. Era a oportunidade que eu estava esperando. Quando ele saiu, eu derramei o elixir em sua bebida. A cerveja adquiriu um tom alaranjado, mas ele já estava alto e nem iria reparar. Quando voltou, eu sugeri um brinde de aniversário já que não pude ficar na noite anterior. nós brindamos e ele virou toda a cerveja de uma só vez. 
Como todo aquele jogo de interpretação, eu parabenizei ele pela coragem, poucos segundos depois ele já estava enrolando a língua. Eu disse que o levaria para casa, paguei a conta e fomos para o meu carro. Tive de carregá-lo praticamente no ombro da metade do caminho para lá. Joguei-o no banco do carona, contornei, entrei no carro e dei a partida. Ele já estava fora de si quando cheguem em casa. Apertei o botão do controle remoto da garagem e a porta se abriu. Já dentro, com as portas fechadas, peguei-o no colo e o levei para dentro. E joguei seu corpo inerte sobre a mesa. Com uma corda, amarrei seus pés e suas mãos, cada um em um pé da mesa. Peguei uma faca, sentei e esperei que o efeito do elixir passar. Para o meu azar, eu fiz mais concentrado do que devia. Quando soou três e quarenta e nove da manhã ele deu sinais de consciência. Ainda confuso, olhou em meus olhos e perguntou onde estávamos. Não respondi. Levantei, contornei a mesa e fui até ele. Bem próximo de seu rosto, deslisei minha mão pela sua pele. Ele cheirava a álcool e perfume barato. Sua expressão amedrontada me fazia querer rir. Ele notou a faca em minha mão e instantaneamente seus olhos se arregalaram. Aproximei a lâmina prateada de sua face e as lágrimas começaram a escorrer. Não tardou para que se misturassem com seu sangue. 
Delicadamente abri os botões de sua camisa, com uma trouxa de pano eu calei sua boca. O desespero começou a tomar conta dele e inutilmente começou a se debater. Pressionei a faca contra seu abdômen e aquele líquido carmim marchou-a. Não era suficiente, precisava ir mais fundo Ele tentava gritar e permanecia se debatendo. Idiota, apenas estava aumentando sua dor. Retirei a faca de sua carne e lentamente deslisei-a pela sua pele branca, deixando aquele rastro de sangue por onde a encostava. Eu havia prometido não fazer mais, mas vê-lo sorrindo, depois de ter feito tantas lágrimas caírem. Lágrimas que eu queria secar e não pude. Ele merecia sofrer. Morrer, ainda não. Mas sofrer até que eu me cansasse. Ele claramente não sabia o porque de tudo aquilo, sequer sabia quem eu era. Mas não me interessa. Aquilo era uma satisfação imensa e era tarde demais para voltar atras. Toquei seu tórax com a ponta da faca e pressionei, então desci até seu umbigo, abrindo um corte tão profundo que seu sangue começou a escorrer intensamente. Eu podia sentir sua aura se agitando, o medo que ele sentia. A dor. Era isso que eu queria. Aquilo era alimento por mim. ele deveria sofrer nesta noite o que nós dois sofremos durante todo este tempo. 
Em pouco tempo eu havia feito tantos cortes nele quanto havia em meus pulsos. Fui além. Pressionei a faca mais forte. Desta vez, não para rasgar, mas para perfurar. Pude ver metade de sua lâmina desaparecer. Seu corpo tinha espasmos de dor, suas lagrimas jorravam aos montes, só perdiam para o sangue. Estava ficando cansado, ele era entediante, patético até na hora de morrer. E limpar todo aquele sangue daria um trabalho. Decidi por acabar com aquilo. Pousei a faca na mesa, aproximei-me de seu rosto e sussurei ao ouvido: "Em uma próxima vida, não dê o azar de cruzar meu caminho, ou eu juro que poderei fazer isso por anos. hoje não, estou entediado." e encerrei aquilo com um sorriso debochado. Ele tentava falar, gritar e se debatia, ainda. Nem na hora de morrer aquele infeliz conseguia se portar como homem. Talvez ele realmente merecesse tudo aquilo, afinal de contas. Estalei meu pescoço, peguei a faca e pressionei contra seu tórax. Desta vez o intuito era diferente. Eu queria abri-lo, queria fazer doer onde ele fez doer. O sangue jorrava mais do que nunca, meu objetivo estava quase sendo alcançado e ele estava inconsciente, quase sem vida. Consegui alcançar seu coração antes que este parasse de bater. Se estava vivo ou se era apenas um reflexo, eu não sei, mas pude sentir ele parar bem em minha mão.
Neste momento eu me senti como se estivesse possuído. Não possuído, mas era como se aquela besta dentro de mim com quem eu lutei durante toda a minha vida tivesse finalmente conseguido sair. Eu comecei a chorar, não de remorso, mas de ódio. Ódio porque tudo o que e fizesse com ele não me saciaria. Apertei seu coração e puxei-o, separando de seu corpo já sem vida, arremessei-o do outro lado da sala e gritei, permiti-me apenas isso. Gritar e pôr para fora todo o meu ódio, então eu fui até o rádio, coloquei "Sugarland" de Papa Mali, acendi um Black de menta, sentei-me defronte ao corpo daquele imbecil e deixei que a noite me consumisse. Nada daquilo mudaria o passado, mas o prazer em vê-lo sofrendo compensou a dor que outrora eu não pude amenizar.

Quetskya.

sábado, 2 de novembro de 2013

E o relógio prossegue tiquetaqueando.



Algo não está certo. 

Desta vez não foi a depressão, a ausência de um ou outro, nem carência ou algo do tipo. É um pressentimento. Não consigo definir se bom ou ruim, ou um misto de todas as atividades do dia. Desde minha saída na noite passada, sinto algo de diferente. Não sei, algo no lugar onde estive, talvez. Quem sabe a presença de alguém. Não sei ao certo. Sei que voltei me sentindo como se não fosse eu mesmo. Meu dia foi bem inquieto, eu estive bastante preocupado, o que é inevitável. Preocupar-se com o bem estar das pessoas que gosto está simplesmente entranhado em mim, mesmo que eu ou outra pessoa não goste. Independente da distância.
Somando isso à energia pesada que se instalou em minha casa, um caos. Aqui era para ser um refúgio, meu porto seguro, mas não é. É na verdade o lugar onde meus problemas começam. Não que eu duvide do carinho e da preocupação de meus familiares, ao contrário. Mas há muito toda essa tensão familiar vem me desgastando.
Eu estou muito orgulhoso de mim. Desci ao inferno, enfrentei meus demônios, meus medos, amadureci, cresci, tornei-me mais equilibrado. Um homem melhor. Para mim e para todos os que estão ao meu redor. Mas confesso que quando olho ao meu redor um gosto metálico invade minha boca. Uma amargura se instala em meu coração. Porque?
Fé. A palavra que me define e que tem feito parte de cada segundo de minha vida em muito tempo. Mas eu estou cansado de ser testado, de tanta resiliencia, de tanta espera. Quanto tempo mais terei de ser paciente? Será que meus cálculos estão certos? Ainda há um bom tempo pela frente, rs.
Bom, antes esperar muito e alcançar a simplesmente lançar-me em um mundo de levianidade e depois arrepender-me.
Tocando neste assunto, permitirei-me mudar o foco da prosa e contar um segundo pensamento que tive há alguns dias. Quanto mais eu conheço minha raça, quanto mais eu vejo do que somos capazes e de como somos primitivos e ignorantes, mas envergonho-me de ser assim. Perdemos a compaixão, a caridade e os bons sentimentos e os que ainda os mantém, sofrem com o peso do arrependimento que os demais recusam-se a sentir.
Penso onde pararemos com essa atitude. A cada dia que se passa, tenho mais certeza de que há um longo caminho a frente. Muito mais complexo que eu imaginava. Se tenho medo? Não. E nunca estive tão feliz em dizer isso. Algumas deduções recentes me fizeram buscar por respostas para algumas coincidências do passado que me fizeram estar exatamente onde estou. Minha conclusão? Não há coincidências. O destino jogou seus dados e cá estamos nós, servindo de peças para seus jogos de tabuleiro divino. 
Cá estou eu, rezando aos deuses para que tenha a oportunidade que me foi negada antes. Rogando para que o medo não me deixe mais uma vez desamparado, sozinho. Embora seja uma situação delicada, arrisco-me a dizer, com toda a certeza do mundo, que não há arrependimento algum. Julgando minhas atitudes anteriores e as de agora, tenho certeza de que meu futuro era findado ao fracasso, a perdas. E com as escolhas que fiz, apenas ganhei. Não tudo o que queria, ou da forma que queria, claro. Mas ganhei. Como mencionei acima, evoluí. Então estou certo de que o caminho é exatamente esse. Não serei apenas mais uma letra nas páginas desta vida. Porque eu tenho tanta certeza? Nem sequer me interessei em saber. Entender o porque  tenho certeza não muda o fato de que é a certeza em si que vai me fazer alcançar meus objetivos. Acredito veementemente que estou fazendo o que devo e que minhas escolhas estão certas e permanecerei neste caminho até não possuir mais forças.
Em resumo, minha fé me mantém de pé. Me dá forças para alcançar meu objetivo.

Atenciosamente,
Danilo Nascimento.

M2M - Don't Say You Love Me

Verse 1:Got introduced to you by a friendYou were cute and all that, baby you set the trendYes you did ohThe next thing I know we're down at the cinemaWe're sitting there, you started kissing meWhat's that about?
Verse 2:
You're moving too fast, I don't understand you
I'm not ready yet, baby I can't pretend
No I can't
The best I can do is tell you to talk to me
It's possible, eventual
Love will find a way
Love will find a way...
CHORUS:
Don't say you love me
You don't even know me
If you really want me
Then give me some time
Don't go there baby
Not before I'm ready
Don't say your heart's in a hurry
It's not like we're gonna get married
Give me, give me some time
Verse 3:
Here's how I play, here's where you stand
Here's what to prove to get any further than where it's been
I'll make it clear, not gonna tell you twice
Take it slow, you keep pushing me
You're pushing me away
Pushing me away...
CHORUS
BRIDGE:
oooo, na, na, na, na, na, na, na
na, na, na, na, na, na
oooo, na, na, na, na, na, na, na
na, na, na, na, na, na, na
Don't say you love me
You don't even know me baby...
Baby don't say love me, baby
Give me some time...








Numb - Sia

I saw you cry today
The pain may fill you
I saw you shy away
The pain will not kill you
You made me smile today

You spoke with many voices
We travelled miles today
Shared expressions voiceless
It has to end

Living in your head
Without anything to numb you
Living on the edge
Without anything to numb you
It has to end to begin
Began an end today

Gave and got given
You made a friend today
Kindred soul cracked spirit
It has to end to begin
Living in your head

Without anything to numb you
Living on the edge
Without anything to numb you
It had to end to begin
Living in your head

Without anything to numb you
Living on the edge
Without anything to numb you
Living in your head

Without anything to numb you
Living on the edgeWithout anything to numb you

domingo, 20 de outubro de 2013

Hachikō, o cão fiel.


"Hachikō foi trazido a Tóquio pelo seu dono, Hidesaburō Ueno, um professor do departamento de agricultura da Universidade de Tóquio. O professor Ueno, que sempre foi um amante de cães, nomeou-o Hachi (Hachikō é o diminutivo de Hachi) e o encheu de amor e carinho. Hachikō acompanhava Ueno desde a porta de casa até à, não distante, estação de trens de Shibuya, retornando para encontrá-lo ao final do dia. A visão dos dois, que chegavam na estação de manhã e voltavam para casa juntos na noite, impressionava profundamente todos os transeuntes. A rotina continuou até maio do ano seguinte, quando numa tarde o professor não retornou em seu usual trem, como de costume. A vida feliz de Hachikō como o animal de estimação do professor Ueno foi interrompida apenas um ano e quatro meses depois. Ueno sofrera um AVC na universidade naquele dia, nunca mais retornando à estação onde sempre o esperara Hachikō.
Em 21 de maio de 1925, o professor Ueno sofreu um derrame súbito durante uma reunião do corpo docente e morreu. A história diz que, na noite do velório, Hachikō, que estava no jardim, quebrou as portas de vidro da casa e fez o seu caminho para a sala onde o corpo foi colocado e passou a noite deitado ao lado de seu mestre, recusando-se a ceder. Outro relato diz como, quando chegou a hora de colocar vários objetos particularmente amados pelo falecido no caixão com o corpo, Hachikō pulou dentro do caixão e tentou resistir a todas as tentativas de removê-lo.
Depois que seu dono morreu, Hachikō foi enviado para viver com parentes do professor Ueno, que moravam em Asakusa, no leste de Tóquio. Mas ele fugiu várias vezes e voltou para a casa em Shibuya, e, quando um ano se passou e ele ainda não tinha se acostumado à sua nova casa, ele foi dado ao ex-jardineiro do Professor Ueno, que conhecia Hachi desde que ele era um filhote. Mas Hachikō fugiu daquela casa várias vezes também. Ao perceber que seu antigo mestre já não morava na casa em Shibuya, Hachikō ía todos os dias à estação de Shibuya, da mesma forma como ele sempre fazia, e esperou que ele voltasse para casa. Todo dia ele ía e procurava a figura do professor Ueno entre os passageiros, saindo somente quando as dores da fome o obrigavam. E ele fez isso dia após dia, ano após ano, em meio aos apressados passageiros. Hachikō esperava pelo retorno de seu dono e amigo.
A figura permanente do cão à espera de seu dono atraiu a atenção de alguns transeuntes. Muitos deles, frequentadores da estação de Shibuya, já haviam visto Hachikō e o professor Ueno indo e vindo diariamente no passado. Percebendo que o cão esperava em vão a volta de seu mestre, ficaram tocados e passaram, então, a trazer petiscos e comida para aliviar sua vigília.
Por nove anos contínuos Hachikō aparecia ao final da tarde, precisamente no momento de desembarque do trem na estação, na esperança de reencontrar-se com seu dono."

E assim seguiu-se até o dia de sua morte.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O preço de uma lágrima.

Há muito eu pedia para ser visto, ouvido, notado, lembrado ou qualquer coisas desse tipo, pelos deuses. Senti-a me sozinho, desamparado, largado. Fiquei tão sufocado em meus problemas, desesperado e agoniado que não pude perceber que tudo o que estava fazendo era me afogar mais e mais nas trevas que me cercava. Como todo humano, não sou todo luz, tenho minha parcela escura, e não me envergonho disso, mas de uns tempos para cá, tenho permitido que isso me consumisse. Estive desesperado e implorava por um recomeço.
O problema todo é que de uns tempos para cá, na verdade há muito mais tempo do que eu imaginava, eu deixei-me cegar e acreditar que deveria ter uma conduta, enquanto na verdade deveria ter outra. Acreditei que poderia ser mais, maior, e que não precisava me submeter em determinadas circunstancias por acreditar ser humilhação, enquanto isso era apenas um sinal de humildade.
Enquanto perambulava por uma rede social, vi o texto de uma mulher que dizia estar feliz, pois ajoelhou-se e orou a Deus, pedindo que a ajuda-se, então algo maravilhoso aconteceu na vida daquela mulher e ela estava voltando naquele momento de joelhos para agradecer. Eu, erroneamente, desdenhei. Passou-se um tempo e meus problemas continuaram, e tomaram proporções ainda maiores e eu já não conseguia mais lidar com eles. Num ato de desespero, sem saber mais o que fazer, e sem mais nada a perder, prostrei-me de joelhos, chorando e pedi aos deuses para que me ajudassem.
Outro erro meu, não conseguia mais acreditar no "Deus Cristão". Achava que ele era apenas uma distorção de outra imagem para vender e amedrontar. Mas naquele momento eu, perdido e sozinho, permiti-me tentar. Não haveria mais nada a perder. De joelhos, incluí este Deus em minhas orações.
A ruptura desta barreira de preconceito era tudo de que precisava, abdicar de um sentimento tão baixo, e que eu julgava não ter mais, mas que persistia em ficar no meu inconsciente. Com isso, aprendi a não superestimar mais minhas capacidades e, principalmente, não subestimar Eles.

Danilo Nascimento.

(Texto antigo, que percebi não ter publicado e ter deixado como rascunho)