Chama-se boomerang kindness, ou efeito bumerangue, o ato sequencial de solidariedade onde tal sequência termina exatamente começou. Para ser mais claro, significa dizer que se eu fizer algo de bom para alguém, mais cedo ou mais tarde, alguém rafá algo de bom para mim. É como se fosse uma forma de universo nos retribuir com a atitude que fizemos.
Há alguns dias eu fui acometido por uma estranha e repentina sensação de raiva seguida de tristeza. Algo indescritível e sem motivos aparentes. Eu estava caminhando sozinho pela rua e tive um pressentimento, alguns minutos depois fui consumido por um ódio, algo estranho, de ninguém. E aquilo cresceu de maneira absurda. Era como estar sentindo os sentimentos de outra pessoa. E esse ódio não tardou a se transformar em uma enorme tristeza, o que me gerou uma crise de ansiedade, o que me fez cair aos prantos no meio da rua. Ainda não compreendo o porque, apenas senti. Não desviando meu caminho, segui rumo ao meu local de destino. Foi quando cruzei com uma mulher que nunca havia visto na vida. Vindo defronte a mim, ela notou minhas lágrimas que escorriam ferozmente pelo meu rosto e me abordou perguntando se eu estava chorando. Eu, sem parar, respondi que estava tudo bem - eu menti - e prossegui, então depois de uns dois passos, eu virei e agradeci, continuando o percurso. Após algum tempo, me virei e ainda pude vê-la parada me olhando com ar de preocupação. Aquilo me invadiu e me preencheu com uma sensação terna de que há pessoas boas, que se preocupam com o bem estar das pessoas ao seu redor. E fez com que eu me sentisse bem. Então orei para que os deuses iluminassem os caminhos dela, e ainda o faço.
Então hoje, há poucos minutos, inventei que tinha de sair, mesmo embaixo deste sol de 42°C, para comprar papel. Eu queria algum papel que me permitisse fazer alguma coisa(?!). No caminho passei por um senhor, pele escura, roupas simples, descalço e deitado à sombra de uma amendoeira. Observando, vi que ele se mexia vagarosamente. Aliviei-me, estava vivo. Quando retornava para casa ele permanecia lá, apenas havia mudado de posição. Olhei atentamente e ele residia imóvel. Prossegui, com um aperto no coração, olhando-o. Não consegui, dei meia volta e fui de encontro a ele. Abordei-o perguntando se ele estava bem e ele disse que estava com sede. Tinha uma aparência bem pobre, ao seu lado havia um carrinho de mão e uma inchada. Eu disse que lhe traria água. Por "sorte" eu não tinha conseguido comprar o papel que queria, então ainda tinha dinheiro. Fui até a padaria mais próxima e comprei duas garrafas de água, retornei e entreguei a ele. Perguntei ainda se ele queria ajuda para ir para casa, ele disse que estava apenas cansado e agradeceu. Eu lhe desejei melhoras e saí.
Até então não me recordava da atitude da mulher para comigo, mas ao virar minhas costas para aquele senhor, embora ainda preocupado, fui invadido por um sentimento de leveza, o mesmo que tive ao ser abordado pela tal mulher. Neste momento eu percebi como o "destino" brinca conosco. Fiquei feliz por poder ter ajudado. Definitivamente não saí para comprar papel algum, mas sinto estar destinado a ter ajudado aquele senhor, como aquele mulher estava destinada a me ajudar. Minha recompensa por tal ato? A sensação de alivio e bondade que se instalou em meu coração e me fez repensar muitos conceitos. Ainda desejando coisas boas a ambos citados aqui, retiro-me à minha reclusão e ao meu artesanato.
Segue abaixo um vídeo muitíssimo interessante sobre "Boomerang Kindness" que achei na inernet:
Quetskya.

Nenhum comentário:
Postar um comentário