domingo, 27 de outubro de 2013

Amar é deixar livre.



Se tem uma coisa que eu aprendi foi que a Magia não cria amor. Ela atrai, abre caminho. Mas manter alguém sob seu controle não é amor, não é estar apaixonado ou sequer gostar. É egoísmo, é pensar apenas em si e esquecer os sentimentos do próximo. É provar exatamente o contrário do que se diz, então todas as promessas se esvaem, e de nada servem. Eu desejo ter o que me for oferecido de bom grado, não tomado. Seria falso e não quero viver de mentirar. Quero viver de verdades.
A maior magia de amor que existe é aquela em que você deseja o amor ao próximo, deseja vê-lo feliz e bem. Como todo neófito, eu cometi este erro uma vez. Ludibriado pelo fato de poder fazer qualquer coisa, por 'dominar' poderes sobrenaturais e por amar, teria o direito de fazer qualquer coisa. Um erro. Não podemos interferir no ciclo natural das coisas, nem no livre arbitro de alguém. É errado, contra a ordem natural das coisas e as consequências são severas. Eu mesmo me julgo estar sendo julgado até hoje. Mesmo após sete anos.
Embora tenha sido doloroso, não me arrependo em si. Isso me ensinou a base pra um grande aprendizado. Amor não é egoísmo. É altruísmo. Não digo amor a um homem ou mulher. Digo amor em si. Aquele que você cultiva em você e para você. E com o tempo sente-se seguro para depositar em outra pessoa. Julga-a merecedora de tal feito. Por isso eu luto por tudo o que quero, todos que gosto. Converso, tento convencer, exponho, desejo o bem, dou toda a assistência, carinho, cuidado e tudo o que eu puder. Independente de quem seja. Mas sobrepujar alguém à minha vontade? Não. Eu não sou assim, não sou egoísta.
De inicio era medo. Não fazia porque saberia que sofreria. Hoje compreendo o peso que tudo isso tem. Não tenho mais medo, tenho respeito. Sei que não devo fazer isso, pois se realmente gosto de alguém, devo desejar o bem a tal. Mas isso não significa que devo desistir. Enquanto eu souber que posso fazer algo para alguém que gosto, assim o farei. O máximo que puder e me for permitido. Mas também saberei aceitar o momento de rendição, se necessário. Apenas se necessário. 
Encerro este poste desejando que a humanidade pare um pouco de pensar sobre trabalho, conta, correria, céu e inferno e tente compreender o que se passa dentro de si. Desejo que eles aprendam com seus erros. Ou ao menos tentem. Não sou perfeito e posso não conseguir aprender tudo, mas tento ao máximo. Me esforço. Estou em uma constante metamorfose, em mudanças e para melhor. Sempre crescendo e aprendendo. E assim permanecerei.
Hoje sei ser mais paciente que antes. Sei esperar a hora certa e sei parar quando necessário. Algo que aprendi quando vi que seria necessário certo amadurecimento. Como diz a música: "Ando devagar porque já tive pressa." E essa pressa em nada me acrescentou. Só não concordo que as coisas devam ficar paradas. Os ciclos não param, a vida continua e, embora seja difícil, devemos continuar também. São essas adversidades que nos testam, nos diferem e nos mostram o tamanho de nossa vontade.

Atenciosamente,
Danilo Nascimento.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Stay Strong



Vivendo um dia após o outro. É assim que tenho vivido. Um dia após o outro, segundo por segundo, sem nada para aliviar a dor. Dor de que, afinal? O que me aflinge? O que me faz falta? O que eu temo? Eu não sei. A única coisa que sei é que eu temo muito. Vejo os dias passando lá fora e toda a forma de distração simplesmente se esvai. Sinto o progresso ao longo do dia, mas quando chega o final de semana tudo simplesmente se desfaz. Porque? Porque simplesmente esses dias tem o poder de me deixar para baixo, de me fazer querer cair em um buraco e me cobrir de terra e permanecer ali para todo sempre?
Minha fragilidade só aumenta, minha dependencia também, e eu me fecho em um casulo de dor e solidão. Não que eu queira, mas é a única fuga que vejo. Enfrentar? Tenho feito isso quando posso, mas nem sempre tenho sucesso. Tenho força? Ora sim, ora não. Em algumas vezes estou tão certo de que conseguirei, em outras, me vejo tão desesperado que me agarro a qualquer outra dor que me tire o foco e me faça sentir menos pior. Temo também pelas cicatrizes. As feridas tem ficado cada vez mais profundas.
Mas porque? Por um homem? A ausência cada vez maior dos amigos? A rejeição da família? Posso realmente culpar cada um deles pela minha fraqueza? Não, não posso. Sou eu, a culpa é minha. Culpar ou me apoiar em alguém jamais fará com que eu me cure, me torne forte. Mas... Qual caminho tomar? Se desistir está fora de cogitação,e está, o que devo fazer? Apenas esperar? E o que mais? Até quando? Porque?
Tantas perguntas que passam pela minha cabeça, tão melancólicas que me fazem querer sangrar. Novamente.

Atenciosamente, 
Danilo Nascimento.

domingo, 20 de outubro de 2013

Redarguição ao Anjo da Morte.


Querido Anjo da Morte, você estava certo, ainda é cedo. Não venha ainda, espere o momento certo. Além do mais a viagem é longa, eu moro MUITO longe e não tenho dinheiro para o frete. (Risos)

Atenciosamente,

Danilo Nascimento.

O que os contos de fadas não contam.


Era uma vez, em um reino distante, uma princesa muito amada e querida por todos de sua família. Era doce, amável e sensível. Mesmo contra a vontade de seus pais, gostava de estar entre seus súditos, ouvindo-os e tentando ajudar em tudo o que podia. Vivia em um lindo castelo e em seu reino nada faltava. Era repleto de abundancia, fertilidade e felicidade. Um dia viajantes de um reino distantes, invejando o que tinham, peregrinaram até lá afim de roubar-lhes tudo o que lhes fossem mais preciosos. Seu pai então reuniu suas tropas. Como um Rei deveras corajoso, juntou-se com seus homens e partiu para interceptar as tropas inimigas que se aproximavam, deixando um rastro de destruição e morte. Infelizmente seu pai faleceu no combate. 
A princesa e a rainha ficaram profundamente tristes com isso. Foi uma perda indescritível. Ela, sendo filha mais velha, também tinha uma irmã. Esta, muito nova, era isenta das responsabilidades que ela tinha. As tropas chegaram ao reino, roubaram, mataram, estupraram e foram embora. Todos perderam muitos. A integridade da família real e de alguns súditos foram poupadas, porém o reino não possuía nada mais. A Rainha então decidiu casar sua filha para que pudesse reconstruir o legado deixado por seu esposo. 
Não tardou até que aparecessem pretendentes. Sua fama percorria muitos e muitos reinos. O primeiro foi um jovem e loiro príncipe, vindo de não muito longe, cortez, conquistou a Rainha que prometeu a mão de sua filha. Com o tempo as investidas do rapar tornaram-se menos gentis e este não esperou a noite de núpcias para possuí-la. Tentou tê-la a força e não houve nada o que se pudesse fazer. Ao descobrir, a Rainha mandou que montassem uma emboscada para o rapaz e este veio a falecer da pior forma possível.
Passado algum tempo, outro pretendente surgiu, um jovem, com alma madura e estudioso. Este, por sua vez, quis conhecê-la mais antes de entregar-se. Infelizmente as qualidades da princesa não foram suficiente para suprir as necessidades do rapaz. Infelizmente a princesa havia se apaixonado por ele e por seu jeito gentil e delicado. Foi obrigada então a vê-lo partir.
Em seguida, vindo de um reino distante, veio um príncipe deveras rico. Ao chegar lá e ver a mudança do reino logo percebeu as intenções da Rainha e descartou qualquer hipótese de casamento. Conheceu a princesa apenas por educação, fez mais uma ou duas aparições e depois desapareceu. Mais uma vez a princesa sofreu a dor da rejeição.
Ela ficou realmente triste com os acontecimentos e a solidão começou a tomá-la. Durante um tempo não houveram pretendentes. Ela então dedicou sua vida aos estudos, à leitura. Com o passar do tempo viu-se apaixonada pelo conselheiro do reino, que por sua vez era amigo de seus pais. Este recusou-se a tê-la em seus braços em honra à memória de seu pai e ao respeito que tem por sua mãe. A princesa ficou muito triste e caiu em uma profunda depressão. A tristeza a devorava por dentro. 
Certo dia caminhando pelos jardins, avistou um poço. Aproximando-se dele, sentou em sua borda e começou a refletir sobre sua vida. Não tardou para que começasse a chorar. E permaneceu assim por longos minutos. Avaliando tudo o que tinha perdido e o pouco que havia ganhado, percebeu o quão deprimente estava sendo sua vida. Tentou então jogar-se dentro do poço. Quem sabe não encontrasse seu amado pai? Porém, no último segundo, foi segurada por duas mãos fortes e delicadas ao mesmo tempo. Era um rapaz que, aparentemente, não pertencia ao seu reino. Provavelmente estava perdido, vindo da floresta, já que chegara tão perto do castelo. Ele a indagou sobre o que fez com que tomasse aquela decisão, ela lhe contou tudo e ele fez um longo discurso sobre o porque devemos ter fé e continuar em frente. Ela então decidiu aguentar firme. Não por ela, mas por sua mãe e por seu reino.
Seus dias passaram a ser mais e mais tristes, embora ela sorria, foram os poucos em que ela realmente quis sorrir. Normalmente esses momentos eram os que ela passava com esse novo amigo, que decidiu ficar por alguns tempos no reino para ajudá-la., a contragosto a Rainha permitiu. Não demorou muito até que seu coração balançasse novamente e ela se viu apaixonada novamente. Neste momento ela sofreu pelo simples fato de ter cedido mais uma vez. Sua mãe, que já vinha observando-os desde o inicio, mandou que o rapaz se fosse, e este, compreendendo a situação toda, não teve outra escolha. Foi expulso do reino e nunca mais pôde voltar.
Ela então passou a não sair do castelo. Ficou apenas observando a vida passar por dentro daquelas grandes janelas. Depois de um longo tempo outro pretendente surgiu. Era educado, engraçado. Parecia um bom marido, porém infiel. Ela não se importava, não o amava e nem queria. Queria apenas ser útil, ajudar seu reino. Algo a ser lembrada. Fazer algo de útil com a sua existência.
O que ninguém esperava era o que estava por vir. Pouco antes de firmarem os laços, apareceu um segundo pretendente. Este, por sua vez, era de um reino tão poderoso quanto o seu fora um dia. Isso foi capaz de pôr a rainha em dúvida. O mais impressionante era que a jovem princesa também viu-se balançada por ele. Era esbelto, alto, bonito e com os olhos tão sedutores como a morte. Viu-se envolta em algo excitante e desejou aquilo. Desejou tê-lo, mesmo tendo desistido. Ela e sua mãe dispensaram o primeiro pretendente que partiu jurando vingança. O segundo príncipe foi acolhido da melhor forma possível. Não demorou muito para que ele visse os encantos dela, menos ainda para perceber as fraquezas. Ele, como ela, foi castigado pela vida. Uma vida um tanto mais longa e muito mais difícil. Viu em sua mão algo tão frágil e delicado. Arriscou-se, mas foi consumido pelo medo. Não poderia se arriscar a quebrar peça tão preciosa e delicada. Decidiu por partir. A princesa neste momento já havia sido consumida pela paixão e o desejava mais do que tudo em sua existência.
O que a encantou foi sua força. Ela o queria por ser forte e porque ele poderia ensiná-laa ser forte. Ele, por sua vez, não quis ajudá-la. Foi-se sem ao menos dizer adeus. A princesa não resistiu. Não possuía forças para mais nada. Limitou-se então a ficar deitada em seu quarto, esperando o momento de sua partida. Todas as lembranças perfuravam-na como lâminas envenenadas que corroíam-na por dentro. Ela então ficou revivendo aquele último momento, observando aquele homem partir. O único que a fez realmente sentir viva, correspondida e feliz. Tudo o que tinha forças era rezar a Deus para que ele retornasse, para que seu amado voltasse e pudesse ajudá-la. Não suportou a rejeição, o acumulo de tristeza e de perdas. A dor foi tamanha que ela não possuía forças sequer para levantar-se e buscar algo para parar a dor. Quis ir ao poço, mas não possuía forças nas pernas, por não se alimentar mais. Tudo o que fazia era definhar de tristeza, por ter perdido a última oportunidade que lhe foi concedida. Ela não mais desejava amor, desejava apenas salvação.

Reza a lenda que ela ainda espera pelo retorno de seu amado príncipe até hoje.

Atenciosamente,
Danilo Nascimento.

Ao Anjo da Morte.




Não viria até você se não fosse importante. Não trato isso com levianidade, porém há muito as coisas vêm se complicando. Encontro-me em uma situação deplorável, irreconhecível. Temo por cada segundo que etá por vir. A dor se tornou constante e a agonia cresce a cada segundo. Tenho me sentido só, embora muitos tenham tentado me ajudar. Tentaram, sim, porém de uma forma ineficaz. Insuficiente.
Meus amigos dizem que ficar em casa de nada ajuda, que eu preciso sair e ver gente, não quero. Então lá se foram eles ao encontro de uma maravilhosa tarde de alegria. Minha família assiste minha dor sem ter o que fazer. Aproximam-se, afagam-me e afastam-se de novo. Vejo a dor deles como eles veem a minha. Eles não seriam capaz de compreender se os falasse. E nem de fazer algo a respeito. O homem a quem pedi ajuda em toda a minha vida recusou-se a me ajudar por... Bom, não sei. Ele nunca se deu ao trabalho de dizer o porque, apenas disse que não conseguia. Estive disposto a ajudá-lo a me ajudar, mas foi em vão. Estive disposto, inclusive, a ajudá-lo a se tornar o homem que tanto sonhou, mas ele preferiu continuar sendo o homem que ele sempre foi, e mais.
Sinto-me completamente sem esperanças, cansado, triste. Há dias não como, não bebo, não rio, sequer levanto da cama. Bebo um copo de leite apenas para amenizar a dor de minha mãe. Ora algo para beliscar. Sem vontade, nunca consumo por completo também. Humilhei-me por diversas vezes por ajuda, para todos, homem, amigos, psicóloga, psiquiatra, anjos, ciganos, elementais, deuses, Deus. Todos em vão. Nenhum deles sequer tentou agir da forma que era preciso para me ajudar, apenas tentaram me fazer um carinho aqui e outro ali, secaram minhas lágrimas quando necessário, mas no fundo, nenhum deles fez o que foi preciso. Nenhum me deu o que eu precisava. A sensação de que tenho é que não tenho pernas e braços, embora os tenha. Não consigo mais me sentir inútil, um peso. A dor me consome a ponto de eu estar enlouquecendo. 
Antes eu chorava e gritava para amenizar a dor, hoje já não é o suficiente, não há mais lágrimas. Estas deram lugar a um líquido mais espesso e de coloração vermelha, então comecei a chorar meu sangue. Com o tempo este também secou. Hoje choro minha alma, cada gota que cai de mim é um pingo de minha vida que se vai, mas não faz a dor parar. Parece uma eternidade tudo isso, mas não é. Venho carregando isso comigo há três anos, e meu limite foi atingido. Peço sua ajuda, pois não sei mais o que fazer. Não consigo mais olhar-me no espelho sem ter pena de mim mesmo. Imploro a você, que foi o único que ainda não pediu, e também o único que ainda não me virou as costas. Ajude-me, leve-me, traga-me a paz. Tudo o que quero neste momento é a paz. Caso possa me ajudar, sabe onde eu moro, você já esteve aqui. Estarei em minha cama esperando pacientemente por você.


Atenciosamente,
Danilo Nascimento.

Hachikō, o cão fiel.


"Hachikō foi trazido a Tóquio pelo seu dono, Hidesaburō Ueno, um professor do departamento de agricultura da Universidade de Tóquio. O professor Ueno, que sempre foi um amante de cães, nomeou-o Hachi (Hachikō é o diminutivo de Hachi) e o encheu de amor e carinho. Hachikō acompanhava Ueno desde a porta de casa até à, não distante, estação de trens de Shibuya, retornando para encontrá-lo ao final do dia. A visão dos dois, que chegavam na estação de manhã e voltavam para casa juntos na noite, impressionava profundamente todos os transeuntes. A rotina continuou até maio do ano seguinte, quando numa tarde o professor não retornou em seu usual trem, como de costume. A vida feliz de Hachikō como o animal de estimação do professor Ueno foi interrompida apenas um ano e quatro meses depois. Ueno sofrera um AVC na universidade naquele dia, nunca mais retornando à estação onde sempre o esperara Hachikō.
Em 21 de maio de 1925, o professor Ueno sofreu um derrame súbito durante uma reunião do corpo docente e morreu. A história diz que, na noite do velório, Hachikō, que estava no jardim, quebrou as portas de vidro da casa e fez o seu caminho para a sala onde o corpo foi colocado e passou a noite deitado ao lado de seu mestre, recusando-se a ceder. Outro relato diz como, quando chegou a hora de colocar vários objetos particularmente amados pelo falecido no caixão com o corpo, Hachikō pulou dentro do caixão e tentou resistir a todas as tentativas de removê-lo.
Depois que seu dono morreu, Hachikō foi enviado para viver com parentes do professor Ueno, que moravam em Asakusa, no leste de Tóquio. Mas ele fugiu várias vezes e voltou para a casa em Shibuya, e, quando um ano se passou e ele ainda não tinha se acostumado à sua nova casa, ele foi dado ao ex-jardineiro do Professor Ueno, que conhecia Hachi desde que ele era um filhote. Mas Hachikō fugiu daquela casa várias vezes também. Ao perceber que seu antigo mestre já não morava na casa em Shibuya, Hachikō ía todos os dias à estação de Shibuya, da mesma forma como ele sempre fazia, e esperou que ele voltasse para casa. Todo dia ele ía e procurava a figura do professor Ueno entre os passageiros, saindo somente quando as dores da fome o obrigavam. E ele fez isso dia após dia, ano após ano, em meio aos apressados passageiros. Hachikō esperava pelo retorno de seu dono e amigo.
A figura permanente do cão à espera de seu dono atraiu a atenção de alguns transeuntes. Muitos deles, frequentadores da estação de Shibuya, já haviam visto Hachikō e o professor Ueno indo e vindo diariamente no passado. Percebendo que o cão esperava em vão a volta de seu mestre, ficaram tocados e passaram, então, a trazer petiscos e comida para aliviar sua vigília.
Por nove anos contínuos Hachikō aparecia ao final da tarde, precisamente no momento de desembarque do trem na estação, na esperança de reencontrar-se com seu dono."

E assim seguiu-se até o dia de sua morte.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A busca da tal felicidade.



É fato que somos imperfeitos, humanos que erramos, tomamos certas atitudes que, por vezes, nos fazem trilhar um caminho errado. Nem sempre é por mal, apenas não conseguimos perceber que o que fazemos é algo ruim, pensando estar fazendo algo correto. É certo também que Às vezes torna-se completamente difícil de se perceber o erro e reparar-se, mas será assim algo tão ruim quando nos arrependemos destas atitudes e tentamos nos reparar. Merecemos sermos julgados eternamente por errar? E onde fica todo o esforço para se retratar, para se redimir? E toda a boa intenção? Será que os sentimentos ruins, como a raiva e o remorso, sempre estará acima dos bons, como o carinho, a amizade, a confiança?
Sou suspeito a dizer, admito. Tenho uma visão completamente positivista e um tanto prática, mas se há algo em que acredito piamente é que as pessoas podem mudar, se arrepender e procuro sempre olhar o lado bom da coisa e o esforço que elas tem para obter, ou ao menos tentar, algo. Acredito também, que limitar-se a temer o futuro porque o passado foi difícil é idiotice. Negar-se algo, ou a alguém, porque um dia você chorou é afirmar que ainda deseja esse sofrimento e que não está disposto a seguir em frente.
Seguir em frente nem sempre quer dizer deixar algo para trás, mas sim levar contigo o que merece ser levado. Eu dificilmente desisto de algo que eu ache que será bom para mim, ou quando sei que farei bem a alguém. Às vezes é possível seguir em frente juntos, deixar apenas a dor para trás. Já me peguei pensando inúmeras vezes se essas são ideologias bobas, infundadas, mas não, não são. Não consigo simplesmente enxergar o motivo de abandonar algo que se queira. Quando eu quero, vou até onde acho que devo. Porque as pessoas temem tanto? Para mim é um pouco óbvio, a solidão e a tristeza todos nós já temos. Porque não podemos lutar por algo bom? Porque temer sofrer se já sofremos diariamente? Sofremos com os amigos que se mostram falsos, com os amores que nos abandonam, com o emprego que perdemos e mais uma infinidade de motivos. Coisas que acontecem sem que queiramos. Então, se as coisas ruins acontecem naturalmente, porque não lutar por algo de que queremos. 
Eu já me permiti ser consumido pelo medo, ser limitado por isso, o que me custou caro. 22 anos de privações. Não cometo mais esse erro. Recuso-me a tal asneira. Se já estou fadado a sofrer e chorar diariamente pela perda das coisas que gosto, porque me privar das oportunidades boas da vida?
São coisas que eu simplesmente não consigo compreender. Talvez eu seja prático demais, não sei. A única coisa que sei é que me manterei firme em minhas convicções e que lutarei com todas as forças pelo que quero. Enquanto aquilo for o que quero e eu souber que me fará bem.

Atenciosamente, 
Danilo Nascimento.