Há tempos tenho me pegado pensando em você. Imaginando se seria possível ter feito algo para que não chegássemos exatamente onde estamos. Alguma atitude diferente ou até mesmo algo que faltou. Claro, frequentemente me vem à cabeça coisas como "onde eu errei?" ou "Será que nunca serei perdoado?" Ou essas perguntas que são de costume ao final de um relacionamento. Perguntas essas que nos fazem reavaliar muitas atitudes que por ventura não nos atentamos no momento em que devemos e só percebemos quando nos é esfregado na cara.
Esses momentos de reflexão muito me tem sido útil e deveras acrescenta em meu crescimento pessoal. Porém não me priva da dor da distância tampouco da saudade. Ainda me lembro como se fosse ontem de seu toque, suave e ao mesmo tempo firme, puxando-me pela cintura e elevando-me até seus lábios. Esses, ah... Esses por sua vez tinham um gosto único, que conseguia transformar em agradável até mesmo o sabor daquela cerveja que tanto gosta e eu nunca gostei. Lembro-me de sua respiração fazendo minha pele se arrepiar enquanto seus dedos se entrelaçavam aos meus. Momentos únicos que me fazem desejar fazer tudo diferente, melhor.
Engana-se quem disser que me arrependo de ter perdido seu corpo. Não. É algo além. Não digo que estou amando. Se tem algo que eu aprendi é que isso deve ser tratado com muita delicadeza e cuidado. O amor não pode ser banalizado.Também não nego a ardente paixão que incendeia meu peito e só faz crescer, mas vai além. Algo que não sei explicar, e nem ouso. Eu poderia limitar a beleza de tal sentimento que desconheço. Tudo o que sei é que é algo maravilhoso e que não vou me privar de me deliciar de tal, mesmo que sozinho.
Reafirmar alguém que esteja errado ou certo seria tolice. Não há perfeição aqui, apenas um jogo de sentimento, em partes, nunca desbravados antes. Desconhecimento este que acaba por induzir ao erro o coração de um jovem inexperiente, e um homem muito experiente, mas não isento de erros ou aprendizados.
Muitos devem se perguntar o motivo de tal texto. Será apenas um desabafo? Não! Uma afirmação escrita, e outrora falada para uma boa ouvinte detentora de grande sabedoria, de que as coisas só estão perdidas quando se deseja estar.
Fiz uma promessa a mim mesmo. Estarei sempre aqui. Digam o que quiserem, mas assim eu o farei. Serei fiel. Não a um relacionamento abalado, possivelmente arruinado, ou a um homem, mas a mim. Aos meus sentimentos. Eu sempre me considerei diferente pela capacidade que tenho de ouvir com o coração. Não tentarei ser hipócrita dizendo que isso é lindo, nada perigoso. Isso é, e foi. Não soube lidar muito bem com isso. Mas as pessoas crescem, amadurecem. E eu me considero muito mais maduro que antes, julgando tudo pelo que passei, fiz passar. Enfim, vivi. Acredito ser capaz de lidar melhor com isso agora, mas continuo com a convicção de que devo esperar. Não por insistencia, mas pelo simples fato de que é isso o que manda meu coração. Caso um dia ele me diga que chegou a hora de seguir em frente, que não há mais o que esperar, assim eu farei. Mas por hora, é momento de sentar e aguardar.
Aguardar ansiosamente pelo momento em que serei tocado por você novamente, em que poderei fazer queimar em seu peito o fogo que queima no meu. Esperar por um simples abraço, mas que tem um valor muito maior e complexo do que se possa imaginar. Talvez os velhos e sábios alquimistas até sabem. Mas duvido que minha geração, em geral, saiba.
Enfim despeço-me agradecendo a paciência e torno a afirmar. Enquanto eu achar que é o correto, eu estarei aqui. Mesmo que doa, ou que eu não durma. Mesmo que eu sofra, sei que não há lágrima ou sofrimento que possa ser maior ou mais forte que esse sentimento. Desconhecido, porém acolhedor. E repito também que não abrirei mão disto, mesmo que tenha de vivê-lo sozinho.
Atenciosamente,
Danilo Nascimento.

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